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Quem de nós duas é a mais voluptuosa?...e quem de nós duas a mais sapiente?
terça-feira, 1 de março de 2016
Os homens que não amavam as mulheres
Ultimamente, ao ler e entrar cada vez mais em contato com feministas lésbicas eu passei a enxergar minha sexualidade por outra ótica, e passei a enxergá-la como um obstáculo à minha real emancipação. É incrível a lucidez das lésbicas pra falar de gênero, ou melhor, é incrível a lucidez de mulheres que se libertaram da manipulação e da necessidade de aprovação masculina pra falar de gênero.
Sou majoritariamente heterossexual, e com isso quero dizer que já me apaixonei por mulheres e sou aberta a envolvimento afetivo com mulheres, porém a maioria esmagadora das vezes que me apaixonei na vida, e a maioria de todas as minhas experiências até hoje foram heterossexuais. Não consegui ainda descobrir até que ponto a socialização feminina e a heterossexualidade compulsória, às quais fui submetida desde o nascimento, influenciaram a vivência da minha sexualidade. Acredito que essa descoberta seja um processo e, nesse ponto do caminho, me identifico como bissexual, majoritariamente heterossexual.
Ser uma mulher negra e feminista em um relacionamento hétero é um misto de incompletude, abuso, inquietação e culpa. É uma prisão que a minha consciência de que todo relacionamento heterossexual será, em algum nível, abusivo não me blinde de me apaixonar por homens. Cada vez mais em relacionamentos heterossexuais eu sou colocada diante de uma verdade dura que eu não queria realmente acreditar: os homens não amam as mulheres.
Não, os homens não nos amam, não são capazes de algo tão grande por nós. Não são capazes de se deixar por nós, de se abandonar, de abandonar seu lugar de privilégios por nós.
A assimetria que eu enxergo nos relacionamentos heterossexuais é perversa: os homens são socializados pra independência, pra manipulação e pro abuso; e as mulheres, pra dependência, pra carência e pro perdão, assim os dois lados se completam em prol da manutenção do domínio masculino. Essa assimetria é cruel porque faz com que as mulheres se deem muito fácil, faz com que perdoem sempre tudo e que sempre carreguem sozinhas o fardo da manutenção do relacionamento. Ao mesmo tempo faz com que os homens ocupem a posição de conformidade, de “errei de novo, mas me desculpa, sou homem, estou tentando”, o homem se sentirá suficiente, sentirá que já está fazendo muito por apenas tentar e nos manipulará todo o tempo para acreditar que nós é que somos muito difíceis e exigentes. Aqui é importante destacar que ele não trabalhará sozinho nessa manipulação, contará com forte e indispensável ajuda da sociedade patriarcal que, à todo tempo naturaliza abusos em nossa cabeça e faz com que sintamos culpa por não aceitá-los.
Cresci, como muitas meninas, envolta em um ambiente familiar em que observei acontecerem muitos relacionamentos abusivos à minha volta, e foi a partir dessa observação dos abusos cotidianos da vida conjugal que hoje eu entendi o lugar que acabei ocupando dentro de relacionamentos abusivos. Cresci vendo minha mãe, minhas tias, vizinhas, perdoando, sempre e sistematicamente se anulando e aceitando abusos em nome da manutenção de um relacionamento que não era bom pra elas, mas quem eram elas sem um homem do lado? Nós temos medo da solidão, e por isso nos submetemos a tudo, porque nos ensinaram que nada pode ser pior que estar sozinha. Para a sociedade patriarcal uma mulher solteira e que distoa, em algum nível, dos padrões impostos de beleza e feminilidade é a materialização do fracasso e da infelicidade. Sim, é essa a resposta: suportamos e mantemos o que não queremos por medo.
Hoje acredito que aprender a lidar com a solidão talvez seja a única ferramenta efetiva contra relacionamentos abusivos. Aprender a ser só não é uma arma com a qual sou capaz de enfrentar o patriarcado de peito aberto e sair ilesa, mas um escudo com o qual posso alterar minha realidade individual. Estar só nos traz consciência, discernimento, traz força e coragem também. Estar só me trouxe o discernimento de quando o relacionamento é bom pra mim, ou não, me trouxe consciência de que a minha solidão não é um fracasso, de que não preciso anular quem eu sou e me submeter a abusos para estar bem comigo mesma. Minha solidão é um processo de resistência à cultura patriarcal de domínio e de abuso masculino sobre meu corpo e minha humanidade.
Aprendemos desde cedo que a mulher é quem deve prezar pela manutenção do lar, a qualquer custo, a custo da própria liberdade, dos próprios sentimentos e saúde emocional. Crescemos aprendendo que a mulher deve ser tolerante, que devemos “segurar o homem”, que devemos ser flexíveis e aceitá-lo como ele é porque “homem é assim mesmo”, que devemos ter saúde emocional e paciência além da conta pra aguentar “a natureza selvagem e viril do macho”.
Eis aí parte da desgraça da feminilidade.
A nossa desgraça é bonita, a gente aprende a confiar e a perdoar muito facilmente e isso é bonito, tudo isso é, na verdade, super bonito. Tudo isso que a gente sente, toda essa nossa capacidade de amar, de se dar é de uma confiança absurda. Nós compartilhamos com os homens a beleza da nossa desgraça e acreditamos que eles podem entendê-la, acolhê-la, que podem nos amar. Nós damos aos homens uma confiança que eles não merecem, e lhes dedicamos um amor de uma grandeza que eles não tem a capacidade de valorizar. Acreditamos, sempre, e de novo, e outra vez, que tudo pode ser diferente, há uma beleza nessa inocência, uma beleza cruel, uma beleza perversa, uma beleza que sangra e que nunca cicatriza.
Uma coisa que eu aprendi é que os meus sentimentos e minha desgraça, nada disso nunca vai estar acima do privilégio masculino. No fim os homens sempre vão agir se priorizando, foi o que eles aprenderam a fazer, e a gente sempre vai agir se secundarizando, é o que a gente aprendeu a fazer. A manipulação masculina se apresentará de formas sutis: frieza, chantagem emocional, silêncio. E, se não estivermos atentas, nosso amor servirá à manutenção do patriarcado, e a manipulação masculina será capaz de inverter o sentimento de culpa sempre pro nosso lado.
O “amor” masculino precisa da nossa obediência, subserviência, da nossa submissão e servidão sexual pra se manter. O “amor” masculino é muito necessitado da nossa objetificação, consequentemente, da nossa desumanização. O “amor” masculino é algo muito despreocupado com o nosso cuidado, com os nossos sentimentos. O “amor” masculino é extremamente volátil e egoísta, é algo capaz de sumir num passe de mágica em nome da manutenção dos próprios privilégios.
E foi nesse processo de vivência de todas as nuances em que pode se apresentar o abuso e a manipulação masculina dentro de relacionamentos heterossexuais, que eu por fim entendi. Entendi que devo matar essa beleza dentro de mim, devo resistir à feminilidade que me foi imposta e me colocar sempre em primeiro lugar. Devo me priorizar, me ouvir, estar atenta aos meus sinais. Devo parar de me preocupar com os homens de uma forma que eles jamais serão capazes de se preocupar comigo. Dentro de um relacionamento heterossexual, devo ser mais egoísta, devo reverter grande parte do meu cuidado com o outro em auto cuidado. Devo ser “complicada” “difícil” e “exigente”, porque tudo isso é por mim.
Um homem que quisesse nos amar deveria entender tudo isso, deverá entender que a assimetria socialmente imposta pede como resposta que tentemos construir, em esfera micropolítica, um relacionamento contrariamente assimétrico. Devemos resistir aos comportamentos padrão de feminilidade e masculinidade para tentar tornar a relação homem-mulher não-sistematicamente abusiva. Os homens deverão sim priorizar sempre o que a gente sente com relação ao que eles fazem, e não sempre jogar de novo nas nossas costas o peso e a responsabilidade de lidarmos sozinhas com as nossas inseguranças.
Isso não é amor, isso é egoísmo , isso é controle e isso é domínio masculino.
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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
Sobre o desamor do homem e sinonimo de ser humano de cu é rola
Sobre o desamor do homem e sinonimo de ser humano de cu é rola
Tudo começou a virar prática quando ganhei minha primeira boneca, por volta dos 3 anos. Assim como minhas amigas, nessa idade eu também já aprendia a cuidar de alguém que dependia de mim. Empurrava carrinho, dava banho, trocava roupa, cuidava do cabelo. Quando estava boa nisso e alcancei o instinto materno, pude avançar de nível, então vieram as panelinhas.
Meu irmão era pouco mais novo que eu e, assim como seus amigos, brincava com uns carrinhos – aprendia sobre peças, velocidade, espacialidade. Ele também ganhava uns brinquedos de montar e criar objetos. Não tenho o que reclamar dos meus pais, eles me deixavam brincar de tudo, mas curiosamente algo já estava definido. Quando cresci mais um pouquinho ganhei um Tamagoshi – aquele bichinho virtual que precisava ser cuidado-, que a maioria das meninas tinha (e os meninos não curtiam).
Eu adorava ler! Tinha em casa uns livrinhos, e lembro das histórias de princesas. Eram moças muito jovens que passavam a vida inteira se dedicando a serem boas pretendentes: aprendiam a cozinhar, a limpar a casa, cuidar dos bichinhos, e principalmente aprendiam a estarem lindas, sorridentes e limpas independente do que fizessem. Após tal processo, passavam a esperar o príncipe que as escolhessem. Iam aos bailes mostrarem-se disponíveis e ficavam ociosas nessa espera. Passavam dias se arrumando e competiam com suas amigas. Sobre o príncipe, sua única tarefa era escolhê-la. Ela devia ser muito incrível e ser aprovada por todos, e não devia cometer a afronta de negar o sortudo pedido de casamento. As que negavam acabavam sendo aquelas tias reclamonas e recalcadas, as velhas dos gatos, as bruxas vilãs solteiras com verruga no nariz. Ou seja, malvadas ou inúteis.
Eram contos de fadas, mas na verdade não tanto. A história das mulheres que morreram na caça às bruxas da Inquisição, ou que foram internadas em manicômios, é basicamente a mesma. As que não se adaptavam à tarefa de servidão doméstica – que trás consigo uma infinitude de entrelinhas -, eram perseguidas, sendo condenadas à morte ou a loucura. Nessa época bem familiar a de hoje, qualquer manifestação de sentimento feminino era considerado histeria – as mulheres deviam estar dispostas a sexo com homens a qualquer momento, à atenderem suas necessidades, a não questionarem. Era sintoma de distúrbio psicológico manifestar considerações próprias, qualquer coisa a respeito de si mesma – e para tratar isso criaram o vibrador.
Quando entrei na escola, os livros diziam coisas como “o Homem está no topo da cadeia alimentar”, “o Homem descobriu que a Terra era redonda”. Então eu entendi que homem era sinônimo de ser humano. Ao mesmo tempo, eu ouvia minha avó dizendo que todo homem é igual. Que homem não presta. Que eu não deveria namorar tão cedo. Vovó era bem bacana, mas certamente aquela palavra que ela usava não significava seres humanos, afinal, por mais bacana que fosse, ela não cogitaria falar sobre namorar mulheres também. Então minha cabeça passou a achar que as avós eram moralistas com esse papo de homens não prestarem, simplesmente pra que a gente não namorasse mesmo. Eis aqui o primeiro recado: escutem suas avós.
E começa aqui nosso choque de realidade. Não é atoa que nossas histórias atuais pareçam tanto com a dos contos de fadas que líamos quando crianças; nem com o passado da Inquisição. Não é atoa que nossa vivência adulta se pareça tanto com aquela que nos foi ensinada quando tinhamos 3 anos. Certamente essa educação precoce não foi por acaso: a dificuldade tem de ser aprendida desde muito cedo para que seja assimilada com perfeição.
Obviamente eu contrariei e logo comecei a namorar meninos. Não demorou pra que, vivendo no universo masculino, eu passasse a achar bobas todas as coisas que saíssem de mim ou fossem minhas – gostos, objetos, interesses, vontades, filmes, passeios, modos de falar, de sentar, roupas, etc. Os meninos endossavam bem o coro de “ah mulherzinha”, quando algum colega parecia feminino – leia-se demonstrar sentimentos. Algumas vezes ele simplesmente dizia estar gostando da colega de turma. Alguns meninos na escola me perseguiam e me seguravam forte, puxavam meu cabelo ou me cuspiam água. As professoram me explicavam que eles faziam isso porque, na verdade, gostavam de mim.
Fui crescendo e as experiências foram evoluindo pra visitas em casa, namoro fixo, convivência cotidiana íntima. Eu imaginava que aqueles rapazes com quem compartilhava a vida fossem meus melhores amigos. E eu nunca entendia porque toda semana eu acabava sentindo algo esquisito que chamo de frustração confusa. Tal frustração surgia toda vez que eu precisava me abrir ou expor algum sentimento e o namorado ou não entendia, ou procurava algo melhor pra fazermos. Muitas vezes eles faziam piadinhas, dizendo que eu era chorona, e me chamavam pra tomar sorvete. Quando eu já não podia mais trocar minha necessidade por sorvete e insistia em falar, eles faziam uma expressão de tédio. Não sabiam o que falar, achavam chato, e chegavam sempre ao momento de tentar transar quando estavam exaustos de ouvir aquilo. E se eu não quisesse, eles reclamavam sutilmente sobre essa minha reação. Eu me sentia mal por não satisfazê-los e por sentir essas coisas. Parece que os tempos não mudaram.
Nos programas de comédia na televisão, aprendi que as mulheres são as rainhas das “DR’s”. O que nós mais gostamos de fazer é discutir relação. O curioso é que depois descobri que chamam de DR qualquer conversa onde se exponha sentimentos mais profundos, que fale sobre si e sobre o outro – que fale sobre a relação. E todas as vezes que imaginei uma conversa onde se abrisse pra isso, foi bonito! Só na imaginação. Os homens não aprenderam o que é isso e lidam como se fosse uma afronta. Eles mudam o humor, criam uma aura de briguinha e te culpam por querer levantar questões sempre. Comigo não foi diferente. Perdi a conta de quantas vezes deitei dizendo que estava meio triste por conta de sua reação e o companheiro dormiu. Ou quis transar.
Não demorou pra que eu fosse chamada de histérica – e olha que nunca fui exaltada, apesar de ter mil motivos pra ter sido. Fui me entendendo como aquilo que os homens me chamavam: cheia de questões, problemática, intensa, racional demais. É, fui culpada diversas vezes por racionalizar demais as relações. Me sentia queimada na fogueira toda vez que me abria. Foi então que entrei num ciclo vicioso de relacionamentos abusivos, onde eu me anulava todo o tempo pra relevar minhas pendências em prol do bem estar do homem. Porque, se meu próprio namorado não era capaz de lidar com elas e me ouvir, eu realmente devia estar sendo exagerada. Diziam pra eu ser mais madura e para de jogar pesos sobre eles. Comecei esse processo de crescimento, mas os diálogos mentais não cessaram. Eu conversava com eles mentalmente e sempre era incrível. Era maduro, era carinhoso e acalentava a alma pelo compartilhamento de amizade e dedicação mútua. Não tinha peso nem culpa, nem expectativa elevada – tinha apenas compreensão.
Eu não conseguia entender isso, apesar de me esforçar muito – como sempre. Não entendia como pra mim era tão leve e quando expunha pra eles era tão pesado. Eles diziam que era a forma que eu falava, meio grosseira, cheia de cobranças. Então eu modifiquei totalmente o modo de abordagem. Fiz várias vezes, vários testes diferentes. Passei até a tentar não falar mais nada. Pra mim isso era bem ruim, então passei a falar com muita delicadeza e carinho. Nada mudou, e eles diziam que eu tinha que aprender a ceder pra relação funcionar. Nada mudou, mas a culpa continuava sendo minha. Por que na minha cabeça tudo funcionava tão bem?
Fui procurar ajuda na terapia, fiz meditação, acupuntura. Pra curar minha histeria o vibrador foi insuficiente, mas tentei outros meios. Me tornei uma pessoa muito calma, porém cheia de culpas que não sabia como eram minhas – mas eram. Mas a vontade de conversar não passou. Achei que estava louca ou tinha depressão. Na terapia eu falava “doar” e minha terapeuta dizia que minha boca pronunciava “doer”. Namorar homens é complicado, por conta de toda criação desigual já mencionada: você acaba vivenciando milhões de machismos, silenciamentos e violências sutis ou não. E isso deve ser conversado, assim como qualquer sentimento bom também deve ser conversado – e é essa parte boa a única parte que eles aceitam ouvir. Qualquer coisa dita fora disso, por mais calma e “namoral” possível, era o cúmulo da minha incapacidade de relevar as coisas. O que meus namorados não entendiam é que se eu estava disposta a namorá-los, eu estava automaticamente disposta a relevar um monte de coisas para que isso fosse possível. Começando pelo fato deles serem homens! Mas eles não podiam participar do processo de melhora de hábitos próprios. Toda vez que mencionava algo, era como se eu estivesse fazendo deles um monstro. Eu. Fazendo deles.
Quanto mais eu conversava e convivia com amigas que também namoravam homens, mais eu via o quanto essa história era repetitiva. O quanto todas nós em algum momento nos víamos inteiramente dedicadas sozinhas a manutenção do relacionamento, uma vez que os homens se mantinham incapazes de lidar até com seus próprios erros. Mas tinham facilidade em apontar os nossos. E sim, precisamos falar sobre exploração afetiva. Nós realmente fomos criadas pra servidão, pra disponibilidade e dedicação extrema – o padrão desses relacionamentos é você ser o colo do homem todo o tempo e quando é você quem precisa, se depara com a pontinha de uma perna. São eles os distantes, os que não se preocupam com saúde sexual, os que não gostam de camisinha, os que não dividem o custo do anticoncepcional, os que não te ajudam a lidar com os efeitos colaterais da pílula, os que não gostam de “tretas”. Somos nós mulheres que nos descabelamos pra achar as soluções de tudo, e vamos procurar ajuda com outras amigas – porque você já foi tão chata com ele, que ele deu ultimatos sobre continuar a relação.
Crescemos cuidando de outros seres enquanto esses namorados cresceram desmontando carrinhos. Enquanto passamos a vida sendo afogadas num sonho de casamento e final feliz, os homens estavam sonhando com qualquer coisa. Esse padrão romântico pode parecer coincidência, mas definitivamente não é. Lembro quando meu irmão brincava de casinha comigo. Eu usava uma barbie, e ele queria usar um boneco de um tamanho muito menor pra ser meu marido. Eu brigava com ele e não deixava, dizia pra usar o boneco do tamanho da minha. E não era falta de imaginação: era apenas pelo fato de que o matrimônio foi empurrado goela abaixo das mulheres. E aquilo era importante demais pra mim pra que ele não levasse a sério.
Outra parte do padrão é a destruidora capacidade que as mulheres tem de negligenciar sua própria vida afim do relacionamento. Tanto eu quanto minhas amigas acabamos com frequência faltando aulas, desmarcando encontros e compromissos diversos para podermos cuidar e/ou ficar junto com o companheiro. E o oposto não acontece. Os homens, naturalmente, continuam com seus planos, seus estudos e empregos. Há quem diga que isso é um dom, que as mulheres são os seres iluminados; citam até o espírito materno. Fizeram aquelas frases “por trás de todo grande homem há uma grande mulher”. De cu é rola! Esse anulamento feminino não é bonito. Ele é consequência de colocarem o casamento como prioridade na vida das mulheres e, como os tempos mudaram, você pode substituir “casamento” por “namorado”, “boy”, “pênis”, por exemplo.
A sociedade só valida a existência feminina quando ela arruma um homem. E aí a vovó se contradiz e fala “segura esse macho!”. Os contos de fadas se repetem e acionamos tudo o que aprendemos para conseguir segurá-lo. Me lembro de algumas vezes que eu estava tranquila sozinha e algum homem me pediu em namoro. Diversas vezes não me apeteceu, mas eu aceitei. Outras tantas eu dei seriedade demais a algo que pra mim nem era tão importante – e isso não é sobre irresponsabilidade afetiva, e sim sobre apenas não desejar estar com tal pessoa. Definitivamente eu amo estar sozinha, mas por um motivo que luto contra, meu pensamento sempre está em alguém. Ainda que nem estejamos juntos, parece que eu e minhas amigas vivemos numa busca incansável por uma completude que não nos disseram que está em nós mesmas. Não, isso não é por acaso.
E essa busca é muito triste, porque quando falhamos numa relação é como se tivéssemos falhado enquanto pessoas. Como se fossemos ruins. E realmente sentimos isso, já que é a nossa principal função manter um namoro funcionando. Quando o rapaz termina sentimos um ego ferido que difere muito ao que o homem sente. Enquanto competimos com nossas amigas quem arranja o melhor namorado – mesmo inconscientemente-, esses namorados estão conversando entre eles sobre suas aquisições materiais, intelectuais, degustativas. Os homens foram criados aprendendo posses, lidando com objetos. Quando um rapaz de quem gostamos não nos quer, nos sentimos ruins, feias, desinteressantes e desistimos. Mas quando acontece o oposto, funciona como se tivessemos ativado o botão de insistência deles. Como se eles não conseguissem lidar com esse objeto que não podem ter.
Assim como nos livrinhos infantis, são os homens que decidem quem, quando e onde começar um relacionamento. As mulheres só devem permanecer na vitrine esperando e, se alguma resolve pedir um rapaz em namoro, é chamada de ousada demais ou desesperada pra casar. Não precisamos nem pedir em namoro: estar ficando com um cara e dizer “vamos nos ver de novo?”, ou começar qualquer assunto sobre nossos sentimementos já é o bastante para ser aquele peso gigante inaceitável. Como se realmente quiséssemos namorar todos os homens com quem ficamos. Na maioria das vezes só queremos ter um papo menos superficial mesmo.
Cansada de ser taxada de apressada, tratei de aprender que pra dar certo e ser escolhida, tenho que seguir a lógica dos meninos que me batiam quando gostavam de mim: fingir que não estou interessada! Ou melhor, ser indiferente e cruel. O típico comportamento masculino é esconder sentimentos e ser negligente. Sumir sem dar notícia, se calar sem explicar, aparecer só quando é conveniente, parecer ótimo o tempo todo, fingir que não sente nada. Os filmes de sessão da tarde ensinam bem sobre como as mulheres não devem ligar no dia seguinte ao encontro. Ser indiferente mesmo. É sério que vamos criar relações com tais bases?
Quanto mais moderninhas pessoas com quem ando, isso fica mais explícito. Pra ser mais livre eu preciso não ligar pra nada, estar ok com tudo sempre. Cumprimentar todos sorrindo e aceitar as propostas de beijo, sexo livre e relacionamentos efêmeros que pouco se importam com minha existência. Mas a verdade é que independente do grupo, vai ser assim – com a diferença perigosa de que no grupo dos desconstruídos isso é disfarçado de liberdade. Mas essa liberdade não soa muito masculina? Eu definitivamente não almejo ser desumana como um homem, embora saiba que a criação das mulheres também me fez doentia em vários aspectos. Mas continuam sendo nós, eu, minhas amigas, minha mãe, minha avó e as mulheres em volta, as pessoas que cuidam e se preocupam de verdade com o sentimento dos outros. Somos nós que nunca dormimos quando alguém ao nosso lado diz que está triste. Somos nós que somos transparentes para que o outro não fique inseguro. Eu não desejo destruir isso em mim para ser capaz de me relacionar com outros seres, porque a consideração e cuidado é a base pra qualquer afetividade.
Há quem diga que os homens aprendem a amar quando viram pais. Eu ainda não acredito nisso, uma vez que nem essa tarefa – cuidar da criança de verdade – é considerada deles. Gastaram dinheiro me dando bonecas na infância com uma finalidade bem estabelecida.
Não parece muito óbvio o quão mais frequente é as mulheres falaram sobre as relações e a manutenção das mesmas? Foram as mulheres as ensinadas a trabalhar isso, aprendendo a se pôr no lugar do outro, aprendendo como é se relacionar. Nós sabemos o que é cuidado e compreensão. Nós é quem sabemos o que é ceder – e até demais. A questão é que esse aprendizado não é ruim e muito menos bobo. Toda pessoa que ame ou acredite no amor, sabe do que estou falando.
E ser a favor disso não significa que sou a favor de que todos casemos e invistamos em famílias tradicionais. É algo bem diferente: apenas que tratemos quem amamos com a devida importância, e que cuidemos todos de nossos afetos. Mas insistir nesse modelo narrado acima significa criar relacionamentos abusivos onde as mulheres são as maiores vítimas. Onde suas existências são sempre invisíveis. Onde tudo que é humano é feminino demais e pesado além da conta. Precisamos entender como abusivos esses namoros onde ficamos confusas, onde lidamos com tudo sozinhas, onde criamos diálogos mentais por não podermos falar de verdade. A história se repete.
E amigos homens, seres inteligentíssimos, revolucionários da liberdade: vocês já deviam ter pensado sobre suas próprias crises existenciais e o mundo infeliz que estamos construindo. Quando o amor – em suas manifestações – é colocado como sentimento essencialmente feminino num modelo social que diminui e ridiculariza tudo que vem das mulheres, é óbvio que vai ser uma sociedade doente.
O sentimento é algo construído para ser apenas feminino. E qualquer observador percebe o quanto as coisas femininas são inferiorizadas. E não, eu não quero amar menos. Não quero tratar os outros com indiferença. Quero ser amiga, quero ouvir quem precisa. Eu quero sim me sentir suficiente sozinha e quero que parem de ensinar as meninas que elas precisam de um marido para serem “a grande mulher por trás dele”. Mas não somos nós, mulheres, que devemos nos adequar as formas masculinas de “amor”, são os homens que devem aprender a amar com o mesmo esforço que nós fizemos!
Deixem seus filhos brincarem de boneca. E quanto aos homens crescidos, não sejam casos perdidos. Sei o quanto vocês reclamam de como os romances são “líquidos” e que os “novos tempos de internet afastam as pessoas”. A questão não é o tempo, como podem perceber. Reconheçam em vocês o desamor. Ouçam suas companheiras, elas cresceram aprendendo a lidar com seres humanos e, dessa forma, a serem humanas. Vocês aprenderão também.
dISPONÍVEL EM https://versoando.wordpress.com/2016/02/21/sobre-o-desamor-do-homem-e-sinonimo-de-ser-humano-de-cu-e-rola/
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
Empoderamento Feminino
Lendo um.livro de psicologia cheguei num trecho que a autora diz que no conto de fadas "a Bela e a Fera" , existe a...
Publicado por Letícia Buendía em Quarta, 24 de fevereiro de 2016
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
Refém: Uma resposta à Fernanda Torres de Carol Patrocinio
Fernanda, preciso te contar uma coisa: estamos em 2016 e a escravidão acabou há 128 anos. Sei que é pouco tempo, mas já deu pra se localizar no contexto social em que vivemos e aprender a olhar o mundo com empatia, ainda mais quando o acesso a informação é tão fácil.
É triste quando mulheres reproduzem o machismo, mas a gente entende. Eu, assim como você, fui criada nessa mesma sociedade machista. Só que quando mulheres cultas, chamadas de intelectuais e com acesso a informação reproduzem um discurso falso é complicado de lidar.
Tó, miga, tó essa magia para abrir a sua cabeça
E, olha só, você tem acesso a toda essa informação. Você mesma deixa isso claro no seu texto. E falar que a diferença com que o mundo trata homens e mulheres é biológica é quase criminosa: esse mesmo tipo de teoria foi utilizada para "comprovar" que negros deveriam ser escravizados. Esse é o lado que você escolheu ficar, Fernanda. O problema é que não é apenas nesse ponto que seu texto se mostra além de intelectualmente desonesto, racista e machista.
Que diferença biológica faria com que uma mulher ganhasse um salário menor do que um homem que ocupa a mesma função, tem a mesma experiência e educação? Que diferença biológica faz com que seus pares recebam mais do que você ao escrever um livro ou roteiro? Porque isso acontece, Fernanda. E não há diferença biológica nenhuma nisso.
"Tenho gratidão pelas babás que me criaram e que criaram meus filhos, cumprindo a função da mãe social, que nos tempos da vovó menina era feito pelas tias, primas, avós e irmãs da casa"
Mãe social? Você nota quão escravocrata é isso? Quem cria os filhos das babás? Filhos são feitos por um casal e é esse casal quem tem que arcar com sua criação com a colaboração de toda a sociedade, incluindo o chefe que acha que mulher sai demais quando tá com filho doente. Uma criança é um legado para o mundo.
"Minha babá era um avião de mulher, uma mulata mineira chamada Irene que causava furor onde quer que passasse. Eu ia para a escola ouvindo os homens uivando, ganindo, gemendo, nas obras, nas ruas, enquanto ela seguia orgulhosa. Sempre associei esse fenômeno à magia da Irene. O assédio não a diminuía, pelo contrário, era um poder admirável que ela possuía e que nunca cheguei a experimentar"
Antes de tudo, você sabe o que quer dizer mulata? Poderia ter dado uma olhada nos textos publicados nessa mesma coluna que você usa para espalhar seu parco conhecimento social e aprenderia com o texto A Mulata Globeleza: Um Manifesto:
"A palavra de origem espanhola vem de 'mula' ou 'mulo': aquilo que é híbrido, originário do cruzamento entre espécies. Mulas são animais nascidos do cruzamento dos jumentos com éguas ou dos cavalos com jumentas. Em outra acepção, são resultado da cópula do animal considerado nobre (equus caballus) com o animal tido de segunda classe (equus africanus asinus). Sendo assim, trata-se de uma palavra pejorativa que indica mestiçagem, impureza. Mistura imprópria que não deveria existir.
Empregado desde o período colonial, o termo era usado para designar negros de pele mais clara, frutos do estupro de escravas pelos senhores de engenho. Tal nomenclatura tem cunho machista e racista e foi transferido à personagem globeleza, naturalizado. A adjetivação 'mulata' é uma memória triste dos 354 anos (1534 a 1888) de escravidão negra no Brasil."
Eu sei, você não é racista. Nenhum de nós o é. Mas, para dor e desespero de muito, não é a gente que decide isso, mas o outro. É quem olha de fora que pode dizer se você está ofendendo. É o negro que decide. Nós, brancos, não estamos acostumados com negros decidindo nada, mas é assim que o mundo funciona hoje em dia.
Além desse termo horrível, você fala que sua babá, que era negra ou não-branca, ouvia absurdos por onde passava. O que você chama de "homens uivando, ganindo, gemendo", eu chamo de absurdos. Você imagina como ela se sentia? Você acha que algum desses caras gostaria de apresentá-la para a mãe, levar no almoço de domingo, desfilar com ela pela orla? Não, Fernanda, a maior parte desses homens querem transar com mulheres negras e casar com mulheres brancas.
Infelizmente, no imaginário masculino, até hoje existe mulher para transar e mulher para casar. E continua sendo igual na época da escravidão. Pensamentos como esse corroboram para que esse imaginário se mantenha. Você já pensou em conversar com a mulher que trabalhava para sua família como babá o que ela achava desse assédio? Porque, assim, ela existe, é uma pessoa.
(E sobre esse assunto, tanto da hipersexualização da mulher negra quanto da sua solidão, indico três textos maravilhosos: A carne mais exótica do mercado, A solidão da mulher negra e o racismo cotidiano e Síndrome de Cirilo e a solidão da mulher negra).
Você ainda fala que inveja "o companheirismo dos homens, o prazer que eles sentem de estarem juntos e se divertirem com qualquer bobagem". Será que o problema são as mulheres ou as relações que você vem travando com outras mulheres? Durante anos eu senti o mesmo que você. Só andava com os caras, queria ser um dos caras, queria ser como eles, ter amizades como as deles. E aí eu descobri mulheres incríveis ao meu redor. Mulheres que não competiam comigo nem eu com elas, mulheres que riam de besteira, dividiam o prazer de fazer nada juntas, que entendiam que tanta coisa nos unia e não valia a pena deixar nada nos separar. Hoje a gente criou a Comum que é um lugar em que a gente aprende que juntas somos mais fortes e podemos materializar esses encontros cheios de risadas, amor e amizade entre mulheres.
O machismo não incomoda enquanto ele não é uma bela água batendo na sua bunda pelada. Uma água de banheiro público que esfria sua bunda quando você menos imagina. Aí ele incomoda. Mas existem contextos em que é fácil viver numa boa com o machismo e achar que ele se resume a ser machão. Machismo mata. Violenta mulheres. Acaba com vidas. Diz que tudo bem abandonar um filho. Faz parecer besteira a gente querer andar pela rua sem ser desrespeitada, seja verbal ou fisicamente. O machismo não é apenas um cara que gosta de transar, coçar o saco e falar besteira. Tudo isso a gente também gosta, inclusive de coçar.
"O Brasil está entre um e outro"
Infelizmente, Fernanda, o Brasil está mais perto da Índia e seus estupros coletivos que contam com a vergonha da mulher em denunciar do que da Alemanha e sua vontade de se distanciar da história de terror do seu passado. O flerte não é um problema, mas o flerte não é o assédio, não é a cantada de rua, não é a cultura do estupro que nos convence de que mulheres existem para servir os desejos sexuais dos homens.
"Uma vida de indiferença, onde todo mundo é neutro, não falo igual, digo neutro, sem xoxota, sem peito, sem pau, bigode, ah... é uma desgraça"
Não consigo entender de onde as pessoas tiram essa ideia. Quer dizer, entendo pessoas com pouco acesso a informação, que assistem programas em emissoras opressoras, acreditarem no que escutam ali, mas gente chamada de intelectual... As pessoas continuam tendo vaginas e pênis, seios, bigodes... Continuam transando, paquerando, dançando até o chão e talvez no colo do coleguinha. A diferença é que essas diferenças só existe ali, em mais nada. Adoro um pênis. Uma vagina também. Mas nada disso me importa na hora de contratar uma pessoa. Não me importa na hora de pagar bem quem oferece um serviço de qualidade. Não me importa quando alguém sobre violência. Não faz diferença nenhuma se tem peito, pinto, buceta, bigode. Ou se tem peito com pinto. Ou buceta com bigode. Vê a diferença? É sutil, mas está ali.
"A vitimização do discurso feminista me irrita mais do que o machismo. Fora as questões práticas e sociais, muitas vezes, a dependência, a aceitação e a sujeição da mulher partem dela mesma. Reclamar do homem é inútil. Só a mulher tem o poder de se livrar das próprias amarras, para se tornar mais mulher do que jamais pensou ser"
A parte mais importante desse trecho do seu texto é o MUITAS VEZES. Porque quando você o usa está assumindo que não é sempre assim. E aí falta empatia. Você não é uma má pessoa, mas comete o erro mais comum de todos: mede o mundo por você. A você falta essa vontade de ser livre? Essa força para lutar contra todas as amarras que você acha que precisa manter para ser "feminina", "desejável", "ter sucesso"? Porque, Fernanda, você não precisa. Você é refém de tudo isso. E é a exceção, aquela que comprova a regra. No final das contas você apenas está fazendo com que tudo o que a gente diz se prove ainda mais verdadeiro.
A gente não está se sujeitando, está apenas seguindo as regras que dizem pra gente que são as certas. Até o dia em que a gente abre os olhos, escolhe a pílula certa entre a vermelha e a azul, aguenta o clarão passar e começa a enxergar o mundo com mais objetividade, sem vendas nos olhos, nem as de renda que só deixam tudo meio confuso. E nesse dia a gente entende uma coisa incrível e que vai totalmente de encontro ao que você diz em seu texto:
"Nunca fui mulher o suficiente para chegar a ser homem"
O que eu te digo é que eu descobri que sou mulher o suficiente para não querer ser homem. E isso me torna completa, forte, plena e pronta para levar luz a assuntos que incomodem quem adora sentar no topo da montanha de privilégios.
Machistas não passarão. Racistas não passarão. Independente se são homens ou mulheres. Você ganha a minha sororidade - a tal amizade entre mulheres, sabe? -- porque eu sei que não é fácil sair desse fluxo de obrigações femininas e silenciamento, mas não espere uma mão sendo passada pela sua cabeça: você é mulher o suficiente para ser melhor do que isso.
*Esse texto é uma resposta ao conteúdo publicado pela autora e atriz Fernanda Torres, sob o título Mulher no blog #AgoraÉQueSãoElas, do site do jornal Folha de S. Paulo
*Texto originalmente publicado em Medium
Carol Patrocinio
Carol Patrocinio é jornalista, mãe, feminista e busca uma vida mais saudável em todos os sentidos: social, política e sustentavelmente.
sábado, 25 de outubro de 2014
Dela
Flamejo enquanto acendo
Refresco quando acalmo...
Acalmo com teu caule na mão
De esquerda ou direita
A sacudir ou alisar
A engolir ou a chupar
Refresco com a tua língua
A me lamber, a me dizer a me salvar
Anseios, distâncias , fluídos não me confunde rumo nenhum...
O meu rumo é onde está teu corpo de pelos acordados ou não, de sedes transtornadas ou não.
Rumo certeiramente pra onde estiver teu cajado exuberante e erguido e faço dele o meu pileque.
Trêbada de suor saliva e sêmen levito no teu precipício e te saúdo a nuca com um beijo de hálito quente.
Te firo pra mostrar quem é que manda, mas eu sou tua-só-tua.
Meu aroma de fêmea só existe por que você é o macho.
Obra de Égon Schiele
Obra de Égon Schiele
Dele
Anseios fluídos pela distância,
Onde a noite confunde os rumos
Transtornados pela sede,
Pelo frio e pelos apetites
Beijos que acordam pelos,
Nucas, pele a pele,
E espera pra que eu a pegue
Sem máscaras, sem pileque, sem roupa
Poupa , desnuda, semente
Lábios flamejantes, hálito quente
Teu aroma de fêmea.
Que me fere acariciando
E me levita de meus precipícios,
Na direção da tua fonte,
Ao estalo do cajado
Sempre erguido sob o sol
Na direção de sua fluente
Que flameja enquanto acesa e refresca enquanto calma.
Foto: Julia Fullerton
Pertencimentos
Sabe quando eu percebi que eu te pertencia? Talvez não vá se recordar...é tolice...desimportante...como a coleção de coisas que faço importância e que pra você passam despercebidas...
Na primeira vez que pousou a mão no meu seio sob a camiseta da Betty Boop e disse: Você é tão bonita que dá medo...quando nossos lábios cortaram o silêncio de uns quase dez minutos e saímos de mãos dadas madrugada afora. Ali eu já te pertencia...mas você nem fazia ideia do tamanho real de meu pertencimento...e você pertencia a todas...que azar o meu pertencer a você.
Eu já pertencia à você quando fui comprar no dia seguinte um março de hollyood azul, pra parecer sua alma gêmea até na marca do cigarro.
Quando me castigou o olhar desfilando suas coxas vestidas com calças femininas e passeou de mãos dadas com uma morena de cabelos longos, eu já pertencia a você mesmo morrendo de raiva, ciúme e tristeza por dentro. Eu disfarcei com um sorriso mais falso que toda a minha simpatia.
Quando me olhou com um olhar bêbado de poeta da moda, e riu da minha inexperiência em receber poesias mentirosas e piegas escritas com caneta barata eu te pertencia.
E sabe quando eu percebi que eu estava perdida? Quando eu te procurava em todos os ônibus que pegava, em todos os lugares que ia, em todo ar que respirava, e você não aparecia. Eu te pertencia mesmo no ônibus errado.
Sabe quando eu descobri que estava doente? Quando você passou a ser meu assunto preferido, minha emoção preferida, minha dor preferida, minha poesia preferida. Eu te pertencia na saúde e na doença.
Eu havia desvairado quando enfim te encontrei por acaso no mesmo bairro de sempre e você tocou meu queixo e eu saí correndo com medo de desmaiar ou ruborescer. Você riu.
Eu percebi que era sua quando adormeci no nosso primeiro coito e ainda assim ali era onde eu mais queria estar.Eu pedia cada dia que aquela noite se repetisse...mas ela não se repetiu...por muito tempo.
Eu te pertencia muito ainda quando fui te procurar diversas vezes na sua casa e ouvi dizer: - Está com uma mulher aí ...e eu voltava desalentada para a casa que eu não queria voltar.
Eu perdi a conta das atrizes que amou, mas ainda assim eu te pertencia.
Eu te pertencia quando segurou minha mão e disse: desculpa pela minha mentira e as páginas da minha vida ficaram 3 anos em branco. Mas eu te pertencia ainda.
Eu odiei ainda mais as atrizes ...eu te odiei mais um pouco, mas pertencer eu te pertencia.
Eu tive ciúmes de todas as mulheres que se aproximaram de você. TODAS. Lembra daquela que dançava contigo quando você lhe inferiu um beijo indiscutivelmente pestilento...Eu saí correndo esbaforida e chorando por que presenciei um beijo seu em outra trágica morena. Como te odiei...Como odiei a morena...como odiei todas as morenas do mundo...
Tive a visão clara de meu pertencimento a você quando comecei a desistir com certa mágoa e cansaço e me joguei em outros colos.
Tinha certeza que te pertencia quando aceitei sua amizade pra não enlouquecer de amor e ódio. E aceitar de vez que a gente não se pertencia nada.
Meu pertencimento era certo quando passei a precisar de encontros contigo sobre diversos pretextos, e me pintava e perfumava e me embebia toda pra te parecer mais digna do teu pertencimento. E meu coração pululava sempre...que piegas.
Passei a te pertencer de fato quando me apaixonei por uma pá de homens e não amei nenhum deles.
Te pertenci quando num certo por acaso te visitei como quem nada faz de melhor num final de tarde e me lancei a jogo novamente. Apostei-me ao teu braço de homem feito. Você ganhou...eu também.
Eu finalmente te pertencia...quando todos os encontros eram iguais aos de antes ...a mesma emoção, a mesma vontade, a mesma certeza, o mesmo fulgor nos olhos e no resto.
A gente se pertencia quando o meu gemido escapulia com facilidade até a sala e quiçá no condomínio inteiro.
A gente se pertencia quando eu bebia vodca no banheiro enquanto você fumava um beck no telhado. E quando nossos vícios se encontravam era outro novo vício que nascia.
Continuei te pertencendo quando tudo desmoronou e você foi embora alegando não saber reconstruir. Eu te pertencia ainda, apesar de qualquer Mariana surgida não sei como 10 dias, apenas 10 dias após as cinzas. Era a Fênix errada. Aliás não era Fênix nada...
Te pertenci ainda mais quando passei a viver pelas mesmas esquinas que você vivia...te chamei pra perto...você disse Não...mas depois disse Sim...e a gente deu início a um novo pertencimento...esse que a gente pertence até hoje...ou não?
A gente se pertenceu tanto que de dentro de mim cresceu ela: A Pérola Calma que você visionou há anos atrás quando escreveu na capa do cd do Belle e Sebastian:
“Pra você, esta Pérola Calma,
Pro meu teu elo,
O meu beijo inteiro pra você.”
A gente se pertenceu tanto que a gente se machucou muito...um festival de machucados meus e teus...mas a gente ainda se pertencia.
Você pertenceu minha casa, minha cozinha, minha camiseta da Edie Sedgwick, meus filmes estranhos...você pertenceu minha loucura, meu corpo àquela hora redondo da prenhice, minha louça suja.Eu te pertencia toda, você me pertencia pouco...você nunca gostou de pertencer e eu pensava: Que droga ele não me pertencer tanto.
Eu te pertenci e me segurei pra não dar na pinta de que eu tava mais feliz que pinto na chuva (mas pinto na chuva é feliz?) quando me apresentou aos transeuntes: - Essa é minha mulher!! – Juro que eu não sabia pra onde olhar, o que fazer, onde colocar as mãos. Pra ser sincera eu nem lembro mais o que a gente tava fazendo ali. Eu só lembro das vezes que você pronunciou a frase: “Essa é minha mulher…Você disse assim, com toda a certeza de pertencimento. Ali mesmo você casou comigo sem precisar de padre e aliança.
A gente se pertenceu mais um pouco e nosso pertencimento passou a ser dela também que nasceu dali a pouco entre gemidos e choros de dor física ou não.
Ela me pertenceu e eu pertenci o anti depressivo e ansiolítico mais poderoso. A vodca mais forte agora é ela, que me sorri nas manhãs turvas ou não. Eu pertenço a ela...vocês me pertencem...vocês continuam meu corpo.
A gente se pertenceu, mas as vezes o amor confundiu-se com pancadaria. Um teste de resistência. Uma prova de esgotamento nervoso. A gente se esbofeteou ...Mas a gente ainda se pertence.
Te vejo dormir e automaticamente coloco meu braço em cima do seu corpo, como quem busca a certeza de um pertencimento. Você ronca.
Te pertenço no café que me faz de manhã, no sarro que me tira quando lavo a louça, na mordida no cangote inesperada, no abraço terno.
Te pertenço até quando sou apresentada como mãe da sua filha ao invés de sua mulher e isso me deixa aflita. O mãe da sua filha não traz nenhuma carga de pertencimento. E isso joga fora todo o texto que acabo de escrever pra você.
Por que eu te pertenço e gosto de pertencer.
A Obra artística é de egon schiele
domingo, 15 de dezembro de 2013
domingo, 14 de abril de 2013
O AMOR DEPOIS DO DIVÓRCIO Carpinejar Arte de Fatturi
Os promotores de justiça sabem. Os juízes sabem. Os terapeutas sabem. Os massoterapeutas sabem. As faxineiras sabem.
Nunca houve tanta reconciliação. Mais do que casamento e divórcio.
A reconciliação é o amor autêntico. O amor bandido que se converteu à lei. O amor bêbado que largou o álcool. O amor drogado que fugiu dos vícios.
A reconciliação é o amor depois das férias, recuperado da perseguição dos defeitos e da distorção das conversas.
É o amor depois da mentira, depois do tribunal, depois da maldade da sinceridade, depois da carência.
Casais que se prometeram o inferno, que disputaram a guarda na Justiça, que enlouqueceram os filhos com suas conspirações, decidem voltar a morar junto, para temor dos vizinhos, para o susto da parentada.
A reconciliação é uma moda entre os divorciados.
Mal se acostumam com o nome de solteiro e se envolvem com os mesmos parceiros. Mas os mesmos parceiros são outros. Outros novos.
A distância elimina a culpa. A falta filtra a cobrança.
Eles experimentaram um tempo sozinhos para descobrir que se matavam por uma idealização.
Enfrentaram relacionamentos diferentes, exageros e excessos, contemporizaram os medos e as rejeições, provaram de frustrações amorosas.
Viram que não existe demônio ou santo no amor. Não existe certo ou errado, existe o amor e ponto.
Este amor provisório, inconstante, inacabado e vivo.
Este amor pano de prato, não toalha de mesa, mas que serve para secar a louça e as lágrimas.
Quem era ciumento retorna equilibrado, quem era indiferente regressa atento.
A trégua salva e refina o comportamento. O casal passa a adotar no dia-a-dia aquilo que não admitia fazer e que o outro recomendava.
O que soava como crítica antigamente passa a ser conselho.
Gordos emagrecem com exercícios físicos, brabos examinam seus ataques de fúria.
A saudade era um recalque e se transforma em sabedoria.
O par percebe que é melhor ser inexato do que inexistente.
Durante a separação, ninguém aceita ressalva e exame de consciência.
A separação é soberba, escandalosa, arrogante. Todos gritam e espalham os motivos da discórdia.
Já a reconciliação é humilde, ouvinte, discreta. Os amantes cochicham juras e esquecem as falhas. Baixam as exigências para aperfeiçoar o entendimento.
A reconciliação é o amor maduro, o amor que ressuscitou, o amor que desistiu de brigar por besteiras e intrigas.
O amor que é mão dada entre o erro e o perdão. Mas que agora pretende envelhecer de mãos dadas para sempre.
Viram que não existe demônio ou santo no amor. Não existe certo ou errado, existe o amor e ponto.
Este amor provisório, inconstante, inacabado e vivo.
Este amor pano de prato, não toalha de mesa, mas que serve para secar a louça e as lágrimas.
Quem era ciumento retorna equilibrado, quem era indiferente regressa atento.
A trégua salva e refina o comportamento. O casal passa a adotar no dia-a-dia aquilo que não admitia fazer e que o outro recomendava.
O que soava como crítica antigamente passa a ser conselho.
Gordos emagrecem com exercícios físicos, brabos examinam seus ataques de fúria.
A saudade era um recalque e se transforma em sabedoria.
O par percebe que é melhor ser inexato do que inexistente.
Durante a separação, ninguém aceita ressalva e exame de consciência.
A separação é soberba, escandalosa, arrogante. Todos gritam e espalham os motivos da discórdia.
Já a reconciliação é humilde, ouvinte, discreta. Os amantes cochicham juras e esquecem as falhas. Baixam as exigências para aperfeiçoar o entendimento.
A reconciliação é o amor maduro, o amor que ressuscitou, o amor que desistiu de brigar por besteiras e intrigas.
O amor que é mão dada entre o erro e o perdão. Mas que agora pretende envelhecer de mãos dadas para sempre.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Você cala , e o jogo termina...
Fui morar ao lado da sua casa.
Inventei milhões de motivos falsos pra isso:
- Ah estava barato.
-Ah é perto da minha família.
-Ah é um lugar bacana.
-Ah o pôr do sol é mais lindo.
-Ah o ar é mais respirável.
Mas no fundo, bem no fundo mesmo, mesmo que eu morra mentindo pra mim mesma o contrário, era pra eu sentir o cheiro do seu suor em qualquer canto do bairro. É doentio eu sei... mas não sei ser de outra forma ...infelizmente...como eu queria ler livros de auto ajuda e escutar aquela vozinha divina dizendo : Foi só mais um ...a vida é assim de autos e baixos e você precisa estar preparada pra isso. Você precisa galgar os degraus. E recomeçar a vida mesmo que seja dolorosa a caminhada.
.Mas não, eu não sou assim... sou destrutiva até não dar mais , procuro o pior até que o mais pior não mais exista. Então procurei você depois de tudo que me causou com o término. Ou eu me causei é a pergunta certa?
Encontrei-te zilhões de vezes (ou três) pelas esquinas beberronas do mesmo bairro e disse estar tudo bem. Disse pra mim mesma que estava tudo bem... Mas não...não está. E hoje exatamente hoje, quando realmente a vida tava um inferno fui à rua comprar cigarros e te encontro em frente a um bar vendo o jogo do flamengo... e peço como que implorando pra me fazer companhia, por que estou sozinha ...E você diz com aquele olhar sem nenhum resquício de paixão: - Não vai dar...estou de saída, só estou aguardando o final do jogo. Eu olho com aquele olhar “sabe-se como” e pergunto você se importa de eu permanecer naquele local até não sei quem chegar... é a desculpa que encontro não tão esfarrapada assim ...e você diz : Claro que não...E eu fico num silêncio aterrador prestando atenção em um jogo que nem mais sei de que time é ...e pensando em milhões de outras coisas ...Você quebra o silêncio com qualquer coisa desimportante...e eu prossigo com qualquer outra coisa mais desimportante ainda. E solto: - Sinto falta de sua amizade (será? , ou é na verdade do pau? Ou dos braços que me circundavam a noite ? ou dos cachos do seu cabelo ? ou do cheiro? Ou de me falares no ouvido : te amo ?)...e você diz com aquela paz de espírito invejável : Você realmente quer começar com isso?...você realmente quer me ver me sentindo mal por isso ?
Eu digo : só estou falando a verdade, ...você me fazia bem...e agora não sei a quem recorrer...só isso...sinto realmente falta de sua amizade , por que não vejo qualquer esperança de você voltar.
Você cala , e o jogo termina , e algo em mim também morre: você vai embora e agora ?E não lembro mais quem falou o quê primeiro por que já estava alcoolizada, (também não sei por que, mas não havia mais nada de bom pra se fazer numa noite solitária de domingo...então eu bebi , mas antes tentei curar a solidão com um chocolate quente , se é que isso me defende.) mas você resolve ficar até “não sei quem” chegar e que me faça companhia em minha casa...
Alguma luz se acende em mim, mas ela é falsa...e sempre é falsa, por que minha alma é escura...infelizmente é escura.
Sigo ao teu lado até qualquer canto em que possamos sentar...e você diz como se eu houvesse perguntado: - Ainda sou seu amigo , e por isso mesmo me sinto responsável por você e não quero que tenha esperança de um retorno. Quero ver você bem.
- Eu não tenho esperança...- é o que eu minto pra mim mesma e pra você...eu não enxergo nenhum resquício de esperança no teu olho (isso é verdade).
E você diz : - Embora eu acredite nisso, que você não enxerga esperança , sei que você pode transformar urubus verdes em grilos falantes. (não são essas palavras que você usa , mas era como se fosse.) Sei que você anda escrevendo blogs sobre mim...que você mesmo sem perceber deixa transparecer sua tristeza, e eu não quero ser seu aliado nisso.
Eu entendo, mesmo que triste e digo:
- O que escrevi foram coisas que sempre escrevo ...com você ou sem você. Eu transformo tudo em poesia de quinta categoria mesmo quando não quero.
E você diz :
- Eu te conheço , não precisa mentir.
Eu me calo. Você me conhece. Você me conhece há tempos. Não posso mentir ...você sabe de todas as minhas fraquezas. Você sabe quando eu minto...então me sinto ridícula. Mas permaneço forte por fora, embora a vontade que tenho é de chorar no teu ombro e de pedir pra ficar...mas isso só estragaria tudo.
Até que eu digo: -o que posso te dizer agora é que sinto falta de sua amizade , de ser escutada por você, de ser acalentada por você enfim...não tenho realmente esperança alguma que volte...Eu tô até me relacionando com outra pessoa (não sei por que disse isso , mas disse)
E você diz da mesma forma que pergunta se tenho um cigarro : - Mas e você? Ainda gosta de mim?
E eu digo com toda certeza do mundo: - Claro que gosto.
E você:( ...)então é por isso, não quero falar qualquer coisa que te acenda alguma esperança ...tenho medo disso ...sou ainda responsável por você. E gosto muito de você pra te fazer mal. Embora o mal que eu tenha feito tenha sido inevitável. Eu fui realmente apaixonado por você, mas aconteceram coisas que me fizeram desapaixonar.
Então me sinto culpada. Lembro-me de tudo o que fiz inocentemente, achando que você “um- homem –não- machista” pudesse entender...coisas que você “um- homem- não –ciumento”, nem ligaria...Mas me enganei...fiz coisas das quais não tinha a menor necessidade pois você realmente me completava de todas as formas. Vi em você tanta liberdade que não vi possibilidade alguma de você ter algum ciúme de mim. Então fui livre...mas não fiz nada de mal...Não te traí, embora em sua cabeça possa ter passado o contrário. Nunca senti essa necessidade , pois era você , teu cheiro , teu pau , teus cachos, teu amor que queria por perto ...não queria ninguém além disso que eu tinha: você, embora de maneira tão parca.
“Eu estou falando que essa merda desse mundo foi feito para a felicidade do homem , por que as babacas das mulheres fazem qualquer coisa para mantê-los : nós fingimos, nós nos enfeitamos, nós temos as ideias mais legais para as férias, nós somos muito mais divertidas do que vocês , muito mais gentis , mais cheirosas , mais delicadas. Tudo pra que vocês não se retirem de nós. Retirem suas pirocas de nós. E o mais engraçado é que vocês vão fodendo com tudo, a ponto de serem deixados. E jamais se esforçam para não nos perder. Por que no fundo, vocês sabem que toda mulher faz qualquer coisa para segurar seu homem.”
Foi o que lembrei na exata hora, um trecho do livro de Fernanda Young...eu fiz de tudo pra manter do meu lado...e fiz merda também tentando te mostrar que eu não precisava tanto de você...ou que pelo menos você não era o único amor da minha vida ...Mas era mentira ...tudo o que fiz antes de você começar a cogitar que não mais me amava , foi pra mostrar que eu era livre, que eu era livre com a liberdade que você mesmo me deu, e que de repente eu amava mais a mim do que a você. Tentei mostrar que agora eu era diferente da época que ensaiamos algum romance há qualquer 10 anos atrás. Mas eu sou a mesma doentia de sempre, com a única diferença de que algumas arestas foram aparadas , mas nada além disso. Eu amadureci ? Talvez eu tenha amadurecido , mas não o bastante...e vir morar sozinha agora foi uma tentativa de amadurecer...Mas amadurecer dói e eu não estou aguentando a dor por ora...mas posso vir a aguentar, é o que espero...eu acho. Estou tentando. É o que digo por enquanto...e estou me sentindo muito ridícula de sempre me justificar dizendo “por enquanto”...mas é o que posso dizer ...”por enquanto”.
Hoje você me fez uma singela companhia por alguns momentos tão rápidos e se despediu. Nos abraçamos daquela forma que eu não queria...aquela obrigação de me abraçar e dizer “conta comigo sempre”, mas no meu íntimo sei que não será assim...que embora você diga: quando precisar pra qualquer coisa , conta comigo. Eu sei que se realmente eu ligasse , você diria : Hoje não dá, é melhor não “...e se num segundo dia eu precisar de você ,viria com a mesma resposta :” : Hoje não dá, é melhor não ““...e no terceiro dia você virá com a mesma resposta : - ...
E então só tive vontade de ligar pra minha mãe e dizer tão contrariamente aquilo que ela esta acostumada a escutar : “- Mãe eu tenho medo”, e desligar no exato momento que tiver a certeza de que ela entendeu...Mas eu não fiz isso...me recolhi em meio de tanta gente feliz e satisfeita tentando encontrar algum rosto que fosse o teu , e te segurasse pelos cabelos e dissesse: - Por favor não faz isso, volta.
Mas deus não ajuda quem nem sequer diz seu nome em qualquer momento de trevas. E mesmo que me ajudasse, e eu te encontrasse, repetiria todo papo torto que tive contigo há minutos atrás. Então volto, sem deus , sem esperança, sem qualquer coisa que me esboce qualquer sorriso...então chóro. Talvez ainda com a esperança de encontrar qualquer mendigo miserável e bêbado como eu e me abra desnecessariamente só pra vazar aquelas tristezas todas presas no peito .Que conte que estou esdruxulamente deprimida, que estou esvanecendo , que estou morta em vida e por você.
Mas não , nada disso acontece ...e nem acontecerá “por enquanto”...e então volto ao leito de fraquezas e me abandono no tapete com vodkas , musicas e poesias....É um alento...mas por enquanto.
ARTE DE EDUARDO NASI (VIDA BREVE)
ARTE DE EDUARDO NASI (VIDA BREVE)
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Posso?
Será que posso apenas ligar para ouvir sua voz neste momento? Vai ser insistência demais se eu quiser saber de tua vida agora? Será que é querer sofrer?
Posso apenas lhe chamar pra almoçar e ver um filme que não seja romântico e que não force barra alguma?...
Posso apenas dizer que lhe amo e que tua falta me garfa o peito e estraçalha a alma e inunda os olhos diariamente?
Posso amor, posso?
Posso ir até sua casa, para apenas sentir o cheiro do teu cigarro de canabis misturado ao suor das tuas roupas que vem do teu quarto trancado?
Posso fazer aquele piquenique que nunca fizemos juntos, mas que sempre prometemos naquela floresta em que nunca dançamos nus em volta de uma fogueira?
Posso amor, posso?
Posso tatuar teu nome em alguma parte do corpo pra lhe mostrar que vai ser difícil apagá-lo da memoria, do corpo, da casa, das roupas, dos lábios, das fotos?
Posso passar a noite no banco em frente a tua casa pra lhe mostrar que estou enlouquecendo e de repente fazer você ter medo de mim e me aceitar de volta por pena?
Posso amor posso?
Posso invadir teu quarto e arrancar tua roupa como num estupro?
Posso pegar uma lâmina cortante e cortar meu corpo delicadamente pra lhe mostrar que sou maníaca depressiva?
Posso raspar meu cabelo todo pra lhe mostrar que não tenho mais vaidade e que meu único homem é você?
Posso fumar uma carteira inteira de cigarro initerruptamente pra adquirir um câncer de pulmão por você?
Posso amor, posso?
Posso escrever coisas tão doentias como essa em cartazes e colá-los nos postes das ruas que você passa?
Posso comprar teu pão na padaria que você vai sempre comprar teu cigarro e fazer teu café da manhã em silêncio e assistir teu desjejum prazeroso?
Posso fotografar aqueles teus olhos caídos e quase demoníacos e fundos e levá-los para um trabalho de amarração?
Posso amor, posso?
Posso me espalhar na tua cama enquanto você não volta da madrugada promissora de lapianas libidinosas e sem coração? Posso me esfregar no teu lençol e deixar minha marca nele pra que não te esqueças de mim assim tão facilmente?
Posso amor, posso?
Posso fazer aquele escândalo tão temido se eu te ver com outra e dizer que você é meu e demais ninguém, e chamá-la de puta, vagabunda, vadia?
Posso amor, posso?
Posso espalhar pra todo mundo que agora estou fazendo terapia e sendo medicada com ansiolíticos e antidepressivos por causa de você?
Que estou tomando banhos com pétalas de rosas, mel e toda a parafernália em luas cheias, indicada por mães de santo de quinta categoria?
Que tua foto ta embaixo de duas velas vermelhas com essência de oxum e que toda noite a esfrego no meu corpo com a esperança que anos de ateísmo não estraguem os feitiços pra te trazer de volta?
Posso amor, posso?
Posso perambular a esmo por todos os lugares que você frequenta e vender todos os meus textos e poesias que fiz pra celebrar tua vinda, e todas as palavras doentias que fiz pra me livrar da tua falta?
Posso espalhar pra todas as mulheres do mundo que você não presta e que serão abandonadas a qualquer demonstração de ansiedade e carência delas?
Posso rezar pra todos os santos, deuses, e inclusive pro seu Buda pra que broche todas as vezes que tente adentrar o corpo de qualquer lambisgóia libidinosa sedenta do seu corpo moreno com cheiro de macho híbrido?
Quero é sangrar minhas dores todas no teu banheiro, e eu mesma chamar a ambulância, alegando que a vida é ruim sem você e que, por favor, não me salvem com soros.
Só posso sobreviver com teu corpo, com tua alma do lado da minha, teus cachos colando no meu suor... é desse remédio que preciso.
Vou gritar no hospital que não quero injeções, aparelhos de oxigênio, operações... vou pedir que não me façam sobreviver se você não voltar.
Vou morder com dentes afiados qualquer enfermeiro ou médico que tentar me reanimar.
Posso amor, posso?
Cena do Filme "Amores Imaginários" de Xavier Dolan
sábado, 8 de dezembro de 2012
Macaé - Clarice Falcão
Ei, vai pegar mal se eu contar que eu imprimi todo o seu mapa astral?
Você foge assim que der, quando souber?
E se eu falar que eu decorei seu RG só pra se precisar
Você vai pra um chalé em Macaé?
Eu queria tanto que você não fugisse de mim
Mas se fosse eu, eu fugia.
Ei, se eu falar foi por amor que eu invadi o seu computador
Você pega um avião?
E se eu falar de uma só vez como eu achei sua senha do cartão
Você foge pro Japão, esse verão?
Eu queria tanto que você não fugisse de mim
Mas se fosse eu, eu fugia.
Ei, se eu contar como é que eu me senti ao grampear seu celular
Você vai numa DP?
E se eu mostrar o cianureto que eu comprei pra gente se matar
Você manda me prender no amanhecer?
Eu queria tanto que você não fugisse de mim
Mas se fosse eu, eu fugia.
sábado, 1 de dezembro de 2012
Reverberações do amor que se foi, mas ainda está aqui.
Ele se separou de mim. Mas eu não separei dele. O desagradável (ou agradável, já não sei mais distinguir) é que nunca estivemos separados...sempre esteve dentro de mim, sempre viveu dentro de mim...Posso falar de mim não dele...Não sei dele...Não sei o que o coração dele agora fala de verdade...Não sei se está sendo apenas gentil com as palavras de calmaria :" - A gente vai se amar pra sempre, mas não posso ser um namorado agora. Espero que se cuide e não suma."...Ele estava lá em todos os momentos que achava não estar. Estava nas minhas múltiplas peregrinações de amor vívido.Estava em todos os beijos que ensaiei nas mais diversas bocas , em todos os sexos que tentei gostar...Em todos os pensamentos que admiti erroneamente estar tomados por outra qualquer pessoa...Ele estava lá sem que eu me desse conta...estava em toda pele lustrosa de desejo que em algum momento invadiu a minha.
Construí minha morada naquele corpo moreno e transpirante com cheiro de macho dominante, e agora estou sem teto.Sem chão.Sem corpo vivo que não tem vida suficiente para sorrir.
Os dias iluminados de sol ou apenas de amor já se foram. Sim ele ainda estará perto, mas não tão perto como dentro de mim nas manhãs de sono pesado. Não tão perto que seus braços possam me envolver e me acariciar enquanto vemos um filme indigesto. Não tão perto que não possa sarrar-se em mim enquanto estou tentando ser uma boa cozinheira e note com humor meu desastre culinário. Não tão perto que possa me roubar um cigarro...não tão perto que eu possa roubar um cigarro...Não tão perto que possa brincar de pique esconde com sua filha de 6 anos e com a criança maior de todas que sou eu.Não tão perto que possa emprestar sua toalha , e ao secar-me com ela percebo que tem seus cachos por todo meu corpo.
Ele não deitará com todo o peso de seu corpo em cima de mim... Não me tocará o seio enquanto dorme, e eu não dormirei mais em sua boca. Não fará mais meu café, não me pedirá para comprar o pão.
Identifico sua falta a todo o instante. O corpo não tem mais o mesmo cheiro. É uma pena. Não dá pra fugir e mudar de assunto, e mesmo quando consigo ele tá lá na cena do filme que construo em minha cabeça como um personagem que passa no fundo da tela. Meu coração é ainda um cativeiro. Tenho toda a liberdade do mundo para sair, mas me sinto presa. E mesmo ausentes os porta-retratos com nossas fotos pela casa, a foto talhada no coração é cruel e faz lembrar a todo tempo. Queria era ficar perto daquelas fraquezas e defeitos , do cheiro do seu corpo depois do coito, da fumaça do seu cigarro, da história que conta no seu beijo.
A escolha foi dele. Não sei nem mais se minhas palavras o afetam em alguma instância, então poupo meus esforços... Por fim só digo que a sexta feira era bem mais feliz quando era a véspera do dia de vê-lo e o domingo mais triste quando eu ia embora.
Lugar de Ser- Carpinejar
Estou solteiro de novo.
Ela se separou de mim. Mas eu não me separei dela.
O desagradável é que sou escritor, eu trabalho em casa. Não conto com um escritório para fugir e mudar de assunto. Identifico sua falta a todo instante.
Venho buscando mudar de hábitos, mas não está surtindo efeito. Passei a espiar classificados.
Localizo alguém vendendo uma telepizza.
Em vez de pensar:
- Como assim telepizza? Que absurdo, o que o cara está vendendo é apenas uma linha telefônica.
Eu penso:
- Coitado, ele está vendendo uma telepizza. Quase compro por compaixão. Eu não me divirto com aquilo que eu achava engraçado, eu me comovo.
Continuo descendo para levar a Cora a fazer xixi três vezes ao dia, mas sem a Cora, nosso cachorrinho foi junto.
Meu coração é um cativeiro.
Tenho o controle remoto da tevê, mas me enxergo sem opção.
Tenho a liberdade do mundo para sair, e me sinto preso.
Tenho tempo de sobra, e me vejo sempre atrasado.
Tenho espaço nas prateleiras e nas estantes, mas nunca encontro o que quero.
Tenho a cama inteira à disposição, mas permaneço dormindo no cantinho.
Ninguém rouba mais minhas cobertas, mas sinto frio.
Retirei os porta-retratos da residência.
Mas olhar dentro da geladeira é também um porta-retrato dela.
Olhar a geladeira é descobri-la: seus morangos, sua mostarda forte, seu pãozinho integral, sua cerveja.
Como diz Karl Marx, que entendia tudo de divórcio:
"Separados do mundo, uni-vos"
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Colagem de Carpinejar
Ontem você zelou meu sono. Estava febril. Falei de pudim e da chaleira fervendo. Coisas incompreensíveis para qualquer um que não me ama.
Você entendeu tudo. Tem uma paciência de me ouvir mesmo quando não organizo minha conversa.
Nossa vida não tem gavetas. Não precisamos guardar para conservar. Não precisamos esconder para nos valorizar.
Estamos visíveis. Expostos.
Amor é não desejar impressionar com histórias secretas, é ser inesquecível absolutamente distraído.
Toda pergunta entre nós é uma confissão. Toda resposta é um conselho.
Eu sei o que você não gosta: de cócegas na cintura, de minhas ameaças de pegá-la no colo, de grito no telefone, de fingimentos.
Seus defeitos são somente cuidados.
Já o que eu não gosto é ficar longe de suas fraquezas.
Pode dormir em minha boca, o beijo é também voz, o beijo é uma história que vou lhe contar.
Beijos do Teu
Lobo de Olhos Amarelos
Fabrício Carpinejar
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Que o amor recoe nos seus ouvidos até estourar os tímpanos.
Talvez eu mesma tenha escolhido ser essa que chóra compulsivamente por motivo algum aparente , e depois gargalha da mesma desgraça.Talvez não...
Talvez eu tenha escolhido ser essa que enterra a cara na vodka, ao invés de "comer terra com esqueletos de minhocas amassadas", só por que o amor não chegou as 4 h da tarde nem ao menos em formas de palavras telefonadas, como a Rebeca de meu livro preferido.
Perdoa: Essa aqui que escreve, bebe e pranteia tem tremeliques infindáveis de medo da solidão e principalmente medo de perder esse que é o mais lindo de todo o "país da delicadeza".
Eu lho amo e já disse...mas quero repetir todas as possíveis vezes para que acredite que foi você quem eu sempre esperei: o cheiro , a boca , o sexo , a fala já encontrado por mim há dez anos e depois estacionado na prateleira de afetos malogrados, para depois ressucitar da maneira mais linda e inacreditável.
Claro que estou sendo patética...e mais que patética eu to sendo egoísta...egoísta no sentido de querer que continue me amando ou me ame mais com estas palavras bem doentias ....ou não.
Talvez a doentia é apenas eu ...doentia talvez por que simplesmente a vida segue: doendo, rasgando, enchendo de saudade... saudade há dois minutos , há 5 , há 10 horas...são todas iguais afinal.
Estou com saudades agora mesmo e medo de que se enjoe.
Enjoe de todo esse sentimentalismo mundano e desnecessário.Enjoe dessa total doação sem sentido.
Eu lho amo, já disse.
Mas quero que saiba o tempo todo ...que o amor recoe nos seus ouvidos até lhe estourourarem os tímpanos (mas só se não lhe causar dor).. e saiba que realmente nenhum outro homem é dono do meu desejo...e mesmo que seja durante dois minutos ou três ou duas horas, é de você que meu corpo lembra a cada minuto de saudade..
O meu sexo tem o cheiro do seu sexo...a língua tem o cheiro do seu sexo...todo o corpo tem o cheiro do seu sexo que é meu ar.
Não tem mais nenhum sentido ser mulher se não for pra ser sua.
"Mas eu sou só uma garota ferrada procurando pela minha paz de espírito." ( Brilho eterno de uma mente sem lembranças.)
Que venham as palavras nocivas...estou necessitada de um cigarro barulhento para acabar com o silencio de domingo.O silêncio que adoraria quebrar com palavras despudoradas no ouvido...Silencio que adoraria quebrar com os gemidos incessantes e vestido de odores e licores corpóreoS.
Estou alcolizada ...é um caminho pra apascentar a alma desnorteada por possíveis respostas não exatamente procuradas... fui cínica com a minha poesia, falei de amor quando o que eu sentia era carência. E agora que amo com unhas e dentes me da aquele medo de tudo me escapar pelas mãos...de estragar tudo com qualquer exaltação minha.Perdoa e me ature o máximo que puder é o que peço.Do meu lado estarei tentando manter a calma, ser solícita e prometer perdoar tua displicência,não invadir tua individualidade, não reclamar tua ausência que me pesa ás vezes , mas se esvai quando me olhas com aquele olhar que é só teu e me acalenta no teu colo de cheiro de jasmin.
Peço perdão a mim e a você se me anestesiei tanto tempo desrespeitando minha angústia, negligenciado qualquer aprendizado que trouxesse sofrimento.
Eu quero você apenas...e não adianta tantas palavras disformes agora se mal sei coar o teu café de manhã.Vê se me amas por mais tempo até que seja impossível não amar...é o que desejo amplamente...que teu peito seja meu travesseiro por mais tempo...teu sexo o meu monumento por mais tempo...teu ventre rijo minha esperança por mais tempo...teus cabelos e pelos meu cobertor por mais tempo.Que seja apenas meu por mais tempo ...
Eu lho amo já disse 10 ou 20 vezes , mas quero que perdure por 10 ou 20 décadas.
Imagem : Frida Kahlo- Meu vestido pendurado ali.
domingo, 16 de setembro de 2012
Nós
Você é lindo , cheiroso , gracioso...anda como quem desliza , me come como quem saboreia, canta como quem enfeitiça.Eu lhe amo deveras e agora sei que nunca deixei de lhe amar mesmo quando achava amar outro.Pois você estava em tudo o que eu esperava deles.Eu sempre quis você nesses todos que de alguma forma passarm em minha vida ou no meu corpo.Era você que eu procurei demais em todas as bocas , cheiros e sexos...e agora é você que tá aqui , me enfeitiçando , me comendo , me deslizando.
Amo seu cheiro de homem híbrido do mato e seu cabelo que cola vez em quando na minha pele.
Amo aquelas bocas e barulhos que fazes no berne do ato libertino.Amo sua mão penetrada em qualquer canto do corpo ...Amo sua risada boba e alegre rindo das minhas puerices tão desnecessárias.
Seu lado pai, seu lado neto , seu lado filho , seu lado meu...são todos por mim admirados.Amo essa minha necessidade de lhe escrever , mesmo sendo coisas tão bobas como essas, e arrisco em dizer a mais boba de todas.
Você é meu bombardeio , meu arco-íris, meu calmante , minha brisa na nuca.
Então vamos comer juntos, nos comer juntos, nos amar juntos , passear por entre nossos órgãos todos...Ser um do outro como já somos.
Perdoe meus desesperos quando os perceber, mas as vezes ser feliz também dá trabalho...ás vezes me dá trabalho.
Meu lado dramático-mexicano prepondera muitas vezes, e eu chóro rios de lágrimas desnecessárias...por uma pequena falta tua , que por vezes nem é falta, mas que meu tpm eterno assim o julga.
Então cála meus choramingos com teu grito de orgasmo, com teu beijo tempestuoso e tua garra viril?
Beijar tuas costas é meu remédio, e ser beijada minha salvação.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
O guitarrista
Você é agora a inspiração da vez. Você que esteve sempre presente nos meus pensamentos e sonhos eróticos é agora matéria prima para os meus textos.
Estou sentindo saudade é o que eu digo... saudade infernal após apenas três dias sem nos ver. O sexo não foi tão bom.Não mesmo...acho que posso colocar uns três ou quatro na sua frente. Você não diz exatamente as coisas que eu quero ouvir... Descobri que você não é tão engraçado como eu achava que era... nem tão bonito...nem tão inteligente.... Por que agora, após apenas três dias que deixei sua boca e seu sexo em paz, estou sentindo uma puta saudade dolorida... mas que não me deixa pegar a porra do telefone e te ligar apenas pra dizer: oi?
É ...você me fudeu... E eu nem gozei... digo tudo isso com uma violência própria de quem ta apaixonada e não entende por que porra isso ta acontecendo.
Era pra ser apenas uma transa. Uma transa de aniversario.Apenas um desjejum de quem tava há mais um milhão de meses sem ver um homem nu lhe penetrando com o que foi propriamente feito por Deus pra isso.
E você veio e nem me fez tão feliz, e eu zombei comigo mesma o tamanho e a incapacidade tua na hora. Zombei confesso...Mas agora...por que será que é o seu corpo pelado em cima do meu que deveras desejo ter?Por que será que é dos seus cabelos longos que desejo ter entre os dedos? ...Por que é que é a sua risada quase débil mental que adoro escutar?
Eu não planejei isso... juro que não.Estava apenas entrando numa nova fase da minha vida ...fase esta em que eu não planejava me apaixonar por nada desse mundo...Numa fase em que apenas queria experimentar diferentes sexos ...de tamanhos e gostos diferentes...Coleção de homens era a minha meta...Mas agora? Você estragou tudo... estragou meus planos... E agora cá estou eu embebida na vodka e me segurando pra não te segurar o rosto e dizer: Ele é com você que quero ficar pra sempre... e o pra sempre , sempre me assusta, por que nunca acreditei em “pra sempres”....É com você que quero acordar e dizer: Bom dia! É com você que quero aprender a... Tocar guitarra... É pra você que quero escrever textos babacas como esse.Desculpa não foi minha intenção ...mas sem querer te incluí na comédia dramática da minha vida ...e quero que você saiba ...mas sei que não vai saber ....por muito tempo.
Estou pensando somente vocês nesses dias... em te colocar no colo e acalentar quaisquer de tuas decepções.
Estou bem...
Estou bem, por que logo depois que deixei teu quarto me encontrei com outro só pra ter certeza que é você que eu quero. Liguei pra escutar a voz de outro só pra não sucumbir a tentação de te ligar e escutar a tua voz rouca no ouvido.Fodi maravilhosamente com outro só pra ter certeza que isto não era o mais importante.
Você não deu conta é verdade... brochou nas três tentativas , mesmo quando eu devorava seu sexo , vestida de lingerie de oncinha e com o corpo fragrante de hidratantes de frutas...Você naufragou e se envergonhou ...abaixou a cabeça e pediu desculpas ...
Desculpas? Por quê?Se tudo que é seu me dá orgasmo:
Seu beijo me dá orgasmo,
Sua língua entre as minhas pernas me dá orgasmo
O peso do seu corpo em cima do meu me dá orgasmo...
Sua voz rouca no ouvido me dá orgasmo...
Sua barba malfeita me dá orgasmo
Suas pintas nas costas me dão orgasmo
Tudo o que me ofereces é orgasmo muito maior que qualquer orgasmo já oferecido.
Três meses depois e não... Não houve qualquer declaração amorosa de minha parte... Não te disse que te amava e já não mais sinto isso ...O pior desprezo que podia me dar foi quando não percebeu isso e continuou me chamando para alimentar sua libido malfeita.
Não eu não te amo... E não eu não te odeio...Mas você é um babaca é o que digo ...Não eu nunca gozei ...Nem sequer gostei de nada ...Como era trabalhoso por seu sexo de pé...Seu corpo não tem cheiro de amante híbrido...Você nem sequer tem o beijo doce dos deuses metropolitanos.
Você apenas um guitarrista de blues não soube tocar minhas costas nem sequer qualquer parte do meu corpo... você não me acordou e eu odeio os homens que não me acordam ...Seu sexo é feio...seu cheiro não é bom ...sua conversa não é saudável.Esquece eu já fui...tem lugar mais pra você não.Adeus querido...cante seu blues é o melhor que pode fazer ...
ARTE DE PICASSO - O GUITARRISTA
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Texto perdido ha tempos e reencontrado...
Certa vez alguém me disse que homens inteligentes e sensíveis não são bons de cama...
Certa vez alguém me disse que homens inteligentes e sensíveis não são bons de cama.
Não... Não vou começar esse texto com este parágrafo deveras libertino, quero começar com coisas idílicas, porque sou idílica deveras.
Chamei-te de príncipe, mas você é bem mais que isso... Você é o homem de olhos mais dançantes e sinceros ...O meu prato preferido ( pra não dizer meu comedor), meu solstício e minha realeza...Ah meu bem como te amo um tanto!Você me salva e me aprimora!
Meu aconchego no teu peito não é fácil de ser descrito... então me calo.Me calo diversas vezes por que escutar o ronronar do teu peito é a coisa mais deleitosa do mundo. Eu só sinto e nada comento... você me cala e me aconchega e me morde a nuca como felino enquanto me desfolha as orelhas e me deflagra o corpo com beijos inimagináveis...
Certa vez alguém me disse que homens inteligentes e sensíveis não são bons de cama... Não...Não vou prosseguir o texto com frase tão chula...
Onde resides afinal?
No meu peito?
Na minha cama?
Na minha mente doente?
Ou na minha novela mexicana?
Você ainda me ama? Diz-me agora, pois preciso escutar todas às vezes possíveis... Escutar que sou sua mulher me penetra de outra forma ...enquanto me penetra daquela forma.
Sou sua... muito mais que preciso...mas sou...Agora peço licença ...e poética:Os meus planos são os de bombear teu sangue mais rapidamente...te deixar impaciente em cima de mim (ou embaixo, tanto faz desde que dentro), te gritar caladamente nomes irreconhecíveis e insignificáveis e você respondendo com ar quente na minha nuca.
Certa vez alguém me disse que homens inteligentes e sensíveis não são bons de cama... Não , não vou me expor tanto assim., pois certa vez me repreenderam...Mas então pra quê sentimentos se não for pra expô-los ao ridículo ?Sou deveras ridícula...
Você tem cheiro de sol de varal, de palha, de trigo , de água calma, de chá de frutas vermelhas.Você tem o cheiro das minhas roupas íntimas engolfadas de desejo.Estou acostumada a teu corpo sem que isso signifique rotina....por que a cada dia descubro uma senda , um cheiro , um gemido um prazer diferente,...Você é meu canto , minha hora boa, meu sopro de vida.Então imploro : Não cumpras tantas distancias em mim.
Certa vez alguém me disse que homens inteligentes e sensíveis não são bons de cama...Não vou continuar desse jeito pra não causar qualquer inveja em centopéias desejáveis e descaradas.Você é meu ...e eu já disse.
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Povoa então minhas idas e vindas com seu corpo entrelaçado no meu...com seu dente marcando minha nuca, com sua boca lustrando todo o sexo e seio, com sua voz de cantor de modinhas tristes no ouvido esquerdo, com seu cabelo encaracolado na minha boca.
Meu corpo será tua releitura, a chama da tua pele, a alvorada do teu desejo.Morro nos teus braços e revivo logo após.Contigo não estou abreviada e tenho ânsia de me jogar às feras...às feras que o seu corpo revela.Tenho urgência das tuas pernas, das tuas coxas ...dos teus pés, Não quero a escassez do teu corpo ...quero a escassez da escassez...A riqueza que desejo é a tua e só a tua.
Sim estou gesticulando pateticamente juras de amor...você detesta?
Vontade louca de te ocultar em mim...ocultar inteiro até que nem eu mesma ache.
A vontade é a de te comer em poesias temperadas...de agredir tua insônia enquanto eu durmo.A vontade é de me dedicar as ciências ocultas que predizes inconscientemente só pra ter o que conversar...A vontade é de te arrancar os cachos pra dizer que isso não é coisa de homem.Ah meu mais precioso bem , a vontade é de te saciar todas as vontades...qual dessas tuas é a mais urgente?
Estou quente só de escrever coisas ...estou de pelos arrepiados e de boca salivante.Aparece agora no meu quarto de insônias estimuladas?
Descrever-te é meu mistério.Quero desmoronar em você, enquanto vira liquido em mim.
Certa vez alguém me disse que homens inteligentes e sensíveis não são bons de cama...e eu de fato não me pronunciarei quanto a isso.
ARTE DE LARRY CLARK
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