domingo, 1 de fevereiro de 2009

4


Vem dessas noites de perdição,
ou comunhão amiga.
Eleva os olhos, balança a cabeça.
Senta, olha o espelho
Imagina sempre os beijos ausentes.

Interpela sempre o horario escuro, invariável...
De que será que tem medo?
Do trem ou so homem dissoluto parado em frente?
Será que ela surfa?
Será que ela mastiga?
Indefinições?

Se lembra da queda de seu muro,
que a bifurcava em dois pólos magnéticos:
um de repulsão outro de agonia.

Um beijo molhado, divertido
Que numa dessas noites obscenas,
Um palhaço escafandrista do Rio Letes,
lhe ofereceu com olhos amenos e pernas cruzadas.
Seduziu sua alma
Digeriu seu corpo
e ruminou...

Trovas Púrpuras Coincidências


O que tentei expor
não foi loucura,nem improbidade.
Foi amor...
O único que arrebentou minhas tênues veias.
E me transpassou os músculos azuis.

Ingênuo e dissoluto.
O mesmo de nunca e agora e sempre-
O que tentei pôr nos pratos não foi auroras..
Nem pães doces...
Foi amor solene e somente.

E ademais
Finjiu ser notório
Encenou alguns gemidos
Cheirou meus cabelos
Ofereceu-me agasalho, saliva e cerveja...
Me lançou um último olhar,
E se aliou às concubinas estrangeiras.

Eu ainda,
embebida nesse mesmice que não é suave
E inibe cousas outras
Eu espero...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Revirete Episcopal

Ao nitrato do teu corpo
Reverberações míticas
Volúpias internas
Bárbaries semíticas

Inquietação do meu corpo
e espíriro uno.
Soberbo animalismo
Vá e promulgue
minha cólera epitelial e climatérica.

Clima, colo, clitóris?
Aperte contra a reviravolta.
Endoideça!
Amargure o coração de formiguinhas operárias.
Formule fórmulas fétidas de física...
Reverbere, reaguce, reconsidere...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

11° dia


Fraco de aventuras!Páre de criar abismos obtusos e fétidas histórias no teu colo mestiço e sem cor.Não semeies mais a única gota de teus mares.
Imploro: Não decepes minhas entranhas, e ofereça teu bom beijo às virgens caladas.E não a mim, que não tenho discórdia enterrada no peito.Arme as armadilhas do teu corpo meio mulato e tão cheio de pêlos inertes, que tanto deixam essas gurias de nádegas endurecidas e fátuas, endoidecidas de tesão ardente.Por quê te amo tanto?Não rapaz, não me questione.Esse é o mais lânguido mistério.Sou uma cápsula de alienação!Nada em mim é desvendado.O que há é somente conjecturas.Não te intimides ao me ver a esmo caminhando pela tua célebre avenida.Preciso do mesmo oxigenio que tu respiras deficitado para alegrar meu coraçãozinho bobo e pueril que tanto usas como um lencinho de papel para assoares teu nariz catarrento.
Não.Não me encolherei mais nos teus braços.E no decorrer de um 11° dia, talvez te encontre propositalmente, e tão cosmeticamente bonita e fragrante.
Seduzir-te-ei com saias e tranças longas.E tu virás louco e faminto de carne andrógena e borbulhante, pra me conhecer outra vez...num lugar imundo em que gemerás uma ceresta e te viciarás nas minhas vísceras pudicas.E regozijarás no meu árduo e sufocante amor imundo...E eu fraca e insone, voltarei novamente solitária ao meu leito quente, de sorriso aberto, após teu beijo tempestuoso...e então esperarei por mais um 11° dia.

Estúpido dia feliz

Eu confesso:
Todo meu vapor ungido
que saiu das sendas do corpo
gélido em brotoejas.
Todo o amor fresco e jorrado,
de meu peito trêmule e indiscreto,
que um dia quis viver e não pôde.

Toda singeleza de tempos antes
em que guardado tornava-se fértil
e difusa em insignificâncias
tentei ao máximo ser verdadeira...
(...?)
Estúpido, o dia este.
Tu beijas as bocas mais sujas
e se esconde.

O meu- teu elo?
Como, se corres feliz enquanto durmo?
O teu beijo inteiro?
Como se minha fração é periódica?
Pare de me oferecer o teu casaco!
O frio que sinto não é de corpo.

Então, num dia feliz,
Espero não pôr meus pés cansados
num ônibus maltrapilho;
Espero só te conceder
uma caneta barata,
para que escrevas na minha tez pálida,
um disse-não disse.

E nesse mesmo estúpido dia
Oh!Estúpido dia feliz,
Dirias: - Te amo, mas não me incomodo!
O amor que te tenho, não me causa dor
ou coisa alguma.
O amor que te tenho
não transborda, nem treme.
É silencioso.
Eu não me importo!
Poderia ficar miríades e miríades de anos,
que não me movo!

E eu com os ossos fracos responder-te-ia:
- Saúde
Um brinde a teu amor quieto!!!

De canabis

Tinha me esquecido
Como é difícil manter a calma
e o equilíbrio
em cima de um avestruz lépido.

Tinha me esquecido,
Do dia que fui feliz.
Do dia que adoeci.
Do dia que vibrei à fome.

Tinha me esquecido,
Como se apaixonar
e como ferver o leite de manhãzinha.

Me esqueci das perguntas dúbias...
e de todo o resto.

Ao maldito Poeta

Quando encostar
tua maldita cabeça vazia,
Neste travesseiro babado,
Cheirando a vômito,
Lembre-te de mim
Ó Belo Pedreiro!

Tu comungaste de meu sangue cardíaco
Riste da minha libido vulgar
Apraziste de minha insolência madrigal

Tens o esplendor
de um príncipe cadavérico.
O andar insidioso
de quem procura vaginas alegres.
O sorriso amarelo de canabbis e tiúba.

Imundo!
Pões concubinas no teu santo colo
Investe em modinhas fantasmagóricas
Canta indolentemente na janela da tua alcova
Cerestas ambivalentes e anestésicas.

Me fura o peito!
Me esvazia, oh ardiloso arquiteto!
O que eu mais desejava,
nunca foi teu langue corpo.
Era teu sangue febril
Era tua testa sintetizada
Era teu espírito!
Teu leve e suave espírito.

E tu,desentendido homem
Vens me oferecer teu paradoxo nu frontal?
Tua carne esverdeada?
Teu umbigo homofônico?
Ignóbil!
És maldito,
Enfermo,
Incrédulo.