O porteiro do seu prédio olhou-me
com aquela reprovação no ar novamente.
Ele não compreende,
pobre homem,
que eu preciso me marcar,
preciso andar trôpega,
carregando na mão as meias-calças...
preciso sair daqui assim,
de roupas mal colocadas,
bochechas vermelhas,
mãos machucadas...
Ele não sabe
que cabelo oleoso denuncia mais
que cabelo molhado,
que minha calcinha eu deixei
em cima da tua mesa,
ele não sabe
que eu vou chegar em casa com fome
e vou ligar para outro ex...
Um alguém qualquer que vai me dar
"de graça"
champagne, televisão e chocolate...
Tudo em troca de alguma estúpida cena
que faria de qualquer Lolita imbecil
uma covarde.
Faça uma pose.
Sou uma mulher em disfarce.
Há meses encaro a sua feição
com desprezo
e um pouco de alarde.
E não sei se me ofereço,
se demoro o passo
para que
dê tempo dele ver,
nas minhas costas,
a tua tatuagem que escorre...
Ah, a vida
sem isso
seria pior que um porre.
Quem de nós duas é a mais voluptuosa?...e quem de nós duas a mais sapiente?
Mostrando postagens com marcador Texto retirado de Ares Exteriores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Texto retirado de Ares Exteriores. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 22 de março de 2010
Jogos de Glória- Lucianne Menolli
Meus sonhos têm a palidez secreta
de uma pequena morte,
um transe induzido,
um coma inventado.
Avanço sobre pratos de comida como quem
estivesse diante de um prazer indizível,
inenarrável,
mas incontrolavelmente oferecido.
Sou uma mulher diferente quando
olho-me no espelho.
Estou contando vantagem sobre meus
desesperos,
contando os homens de terno, farda,
fraldas e bermudas
que atravessam livres
o beiral de minha porta.
E divido
centavo por centavo do dinheiro dessa aposta
que perdi;
as baratas me cobram. Devo tudo à elas.
Estou na sarjeta por ter sonhado com alturas.
Cobras voadoras
que espancam todas as chances
de um dia eu me tornar bem-vinda.
Lucianne Menolli
de uma pequena morte,
um transe induzido,
um coma inventado.
Avanço sobre pratos de comida como quem
estivesse diante de um prazer indizível,
inenarrável,
mas incontrolavelmente oferecido.
Sou uma mulher diferente quando
olho-me no espelho.
Estou contando vantagem sobre meus
desesperos,
contando os homens de terno, farda,
fraldas e bermudas
que atravessam livres
o beiral de minha porta.
E divido
centavo por centavo do dinheiro dessa aposta
que perdi;
as baratas me cobram. Devo tudo à elas.
Estou na sarjeta por ter sonhado com alturas.
Cobras voadoras
que espancam todas as chances
de um dia eu me tornar bem-vinda.
Lucianne Menolli
Assinar:
Postagens (Atom)