Quem de nós duas é a mais voluptuosa?...e quem de nós duas a mais sapiente?
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Desculpa mas ...
Desculpa mas ...minha mão não pára.
Desculpa nada...de verdade não tenho que pedir desculpas alguma, não é culpa minha e talvez nem sua ...Não , não é sua.
Fui eu quem deixou você se aproximar de novo...e agora minha mão não pára...não pára de escrever, não pára de secar o rosto ...não pára de movimentar-se ao léu...
E agora onde foi que errei ? Fui com muita sede ao pote novamente ? Acreditei demais em você? Te obriguei indiretamente com meu sentimentalismo a dizer que me ama ?
Se lembra da gota de pânico ? Pois não é mais gota...é cachoeira.
Não precisa me chamar de insegura, exagerada, ansiosa...sei que sou tudo isso...Mas muito mais que isso sou alguém que espera o amor...E de fato acreditei que você o trazia.
Você estava lindo quando veio e disse àqueles que me pariram: - Quero ficar com a filha de vocês...quero fazê-la feliz...eu chorei...como não chorar? Assim como estou agora.Insegura...vai decretar de novo ? ok posso ser , mas muito mais que isso quero acreditar que o amor não é coisa da minha cabeça.E que você amou sim ...e que você ama...e que você amará...será ?
Você disse que quer ficar comigo pra sempre ...é verdade ? Você disse que tinha certeza que a gente devia ficar juntos ...Você tem certeza da sua certeza?
Como controlar essa avalanche que sinto agora ? A gente vai mesmo se unir mesmo quando o mundo conspirar? e você que é lindo , nunca mesmo vai me desapontar?E se me desapontar tera corajem de juntar os pedacinhos ?
Estou aqui te esperando há cinco dias ... Esperando você aparecer com seu umbigo homofônico e seu braço de pedreiro...esperando que você retorne sem nenhuma má notícia...esperando que apenas diga novamente que me ama...ou que...
Pois é to aqui ainda te esperando que apareça ao menos atraves de palavras doces...mas não você não vai aparecer ...me enganei de novo? Diz logo que eu sumo...ja to sentindo o coração em chamas...não espera muito não ...Peça desculpas novamente pela sua mentira, e tudo será como da outra vez.
To te esperando ainda ...cansada e sonolenta.
Mas então só me diz agora : Te fiz alguma coisa ?
(*DESCONHEÇO O ARTISTA DA IMAGEM, TEXTO DE LETÍCIA BUENDÍA)
All mine
É só você sair que me sinto só ...
Deixei de ser aquela de antes, sou completa, sou feliz e sou bonita.
Me fala por que me sinto tão esquisita quando não está do meu lado ...por que meu coração aperta de tal forma que quero morrer ?
Medo que que você também vá embora ...de novo.Medo de que essa felicidade se desmanche de uma hora pra outra.
Você vai ficar aqui por muito tempo ainda ? ou quem sabe pra sempre ? Vamos ser realmente felizes juntos como nos contos de fadas?
O dia inteiro tento me socorrer de pensamentos terroristas com coisas que não fazem sentido...quero te ver feliz , te fazer feliz e ser feliz contigo e somente contigo.
Apascenta meu coração? Acaricia-me o espírito com o teu ?
Quero me alimentar de você diariamente...quero ser a tua comida, o teu sustento.Penetra em mim ? Não solta da minha mão ? Não enjoa dos meus beijos e carícias ?
Não consigo controlar esse medo...o medo do precipício que é estar sem você agora.Medo de que você encontre no meio do caminho qualquer uma que lhe sugira felicidade mais atraente...Medo que você perceba de uma hora pra outra que cometeu um erro em dizer que me ama...que era apenas fome do corpo agora saciada, e que agora precisa ir encontrar o amor verdadeiro em outra esquina diferente da minha.
Já sofro horrores pensando que você pode partir e que eu não
passei de uma ocasião desimportante na sua vida .
Ontem não te vi ,não escutei tua voz , não senti teu corpo e o dia foi estranho...Dormir não consegui e até vomitei toda a comida que ingeri durante o dia por que tudo ficou insalubre.Agora é assim : o dia não funciona quando você não se faz presente ...Me fala e agora?Vai tabém ter medo de toda essa enxurrada de sentimentos e ir embora? Não faz isso eu peço...Não sou mais a mesma...Todos agora dizem que estou bem e mais bonita com um sorriso sempre presente no rosto, como serei se fores embora ?Que cara e vestido usarei ?Que passos errados darei ? Que tipo de coisas escreverei ? Quero que me faça filhos , que conserte meu chuveiro, que me massageie os pés e o coração...que me coma salivante daquela forma nervosa e angustiante, como se fosse a ultima vez de nossas vidas.
Por vezes na sua frente me calo pensando como essa felicidade me desespera, e esqueço que estás ali do meu lado e me faz feliz.Tira de mim esses pensamentos sombrios e diga que ainda me ama e que sou a única.Me põe aqueles leves sorrisos no rosto quando pega na minha mão e diz coisas tão coloridas.Deite em cima de mim e me morda a nuca como um felino...diz que estás feliz pois assim eu também fico.
É isso.
*FOTOGRAFIA DE FIONA APPLE
sexta-feira, 22 de junho de 2012
E de repente a vida fica colorida e doce como um saquinho de jujubas...
E de repente a vida fica colorida e doce como um saquinho de jujubas... Mas já estou tensa eu digo.
-Estou muito feliz, é o que você diz... mas e se de repente você esta se enganando?O que será que te deu agora? (que bicho o mordeu?)... Estou feliz sim , mas essa felicidade me da um medo terrível...medo de acordar um dia e ver que nada existiu...Medo de você acordar um dia e ver que mentiu pra si mesmo , como outrora mentiu.Medo de perder suas costas macias como alimento para as minhas mãos sedentas, Medo que seus cabelos parem de encaracolar os meus e suas mãos não me encontrem mais...Medo de perder seu olhar sereno me acompanhando...Medo do seu cheiro doce desaparecer sorrateiramente...Medo da sua barba mal feita não me espetar mais as faces ruborizadas....Medo de ter essa alegria toda escapulir por entre os dedos como sempre me foi típico.
Sou incapaz de abandonar essa alegria... mas e você como se comportará diante desta felicidade que não sei é a mesma?
À tarde você me disse palavras doces... e a noite chorei de medo.Medo por que essa felicidade plena eu não conhecia, e agora já estou com medo do seu fim é o que digo.
Até rezar ando rezando... fazendo promessas a todos os santos que te proteja nos meus braços, por que em pouquíssimo tempo me acostumei com suas palavras e suas carícias ha tanto tempo trabalhosamente esquecidas.
Meu coração ta nodulado aqui... e agora eu choro por que não to acostumada com tanta felicidade.
Você jura que não ta mentindo? Jura pra mim que isso vai durar mais que duas semanas?Jura que está sendo sincero o suficiente? Jura que não vai sumir misteriosamente?
E to feliz sim... mas amedrontada demais por que sei o que você pode ser ...Sei o quão encantador pode ser ...sei o quão apaixonante pode ser.
Será que você tem certeza de tudo o que anda falando pra mim? Ou será que está desesperado querendo esquecer alguém?Será que a real dona do seu coração está à espreita e poderá te chamar quando quiser e você como quem ama desesperadamente vai correr pros braços dela e me deixar sangrando num canto qualquer? Será que você também tem medo ?
Há muito tempo que escutar Eu te amo de você era um sonho intocado... Há muito tempo que a frase "Fica comigo!" deixou de ser ansiada.
Assim que percebi que estava amando errado, te coloquei na prateleira de afetos ternos, e aprendi forçosamente a não te desejar com ardor do meu lado... Foi árduo, me custou noites frias e rostos molhados , mas enfim eu consegui.
E agora quando menos espero você vem com uma caixa de lápis de cor gigantes e me colore a vida, traz a trilha sonora perfeita, me segura à mão e me diz eu te amo? Como não ter medo do arco-íris?...
Moço moreno de cachos perfeitos me ajuda a não ter mais medo? Oferece-me teu colo sempre que por algum motivo me der vontade de chorar?Acalenta-me a alma em qualquer uma das vezes em que a felicidade me parecer uma insídia? Faz-me um cafuné quando chover lá fora? E se nada disso puder ser feito, ao menos pode prometer que não vão doer muito dessa vez?
Eu estou aqui não importa como... e aceito todas as carícias , todas as palavras doces, os abraços confortantes, os beijos "panacéicos", e te retribuo com a melhor parte de mim que nasceu ha poucos dias, por que sim agora me sinto a pessoa mais linda do mundo e boa também, quando você está do meu lado me aquecendo com um abraço milagroso...
O corpo estará fragrante, as unhas vermelhecidas , os cabelos desgrenhados pelo vento da madrugada e o coração carnavalesco, você aceita?
*ARTE DE RAY CAESAR
*ARTE DE RAY CAESAR
sábado, 5 de maio de 2012
O Eremita - Voltaire
O EREMITA- De Voltaire
Assim caminhando, encontrou um eremita, cuja venerável barba branca lhe tombava até a cintura. Tinha na mão um livro que lia atentamente. Zadig parou e fez-lhe uma profunda reverência. O eremita saudou-o com um ar tão nobre e tão bondoso, que Zadig teve curiosidade de conversar com ele. Perguntou-lhe que livro lia.
— É o livro dos destinos — disse o eremita.- Quer ler um pouco?
Pôs o livro nas mãos de Zadig que, embora versado em várias línguas, não pôde decifrar-lhe uma única letra. Isso ainda mais lhe aumentou a curiosidade.
— Pareces bastante aborrecido — disse-lhe o ancião.
— Motivos não me faltam! — exclamou Zadig.
— Se me permites que te acompanhe — tornou o velho, — talvez eu te possa ser útil: tenho às vezes derramado sentimentos de consolação na alma dos infelizes.
Zadig sentiu-se tomado de respeito ante o ar, as barbas e o livro do eremita. Achou-lhe superiores luzes na conversação. Falava o eremita do destino, da justiça, da moral do soberano bem, da fraqueza humana, das virtudes e dos vícios, com tão viva e tocante eloqüência, que Zadig sentiu-se atraído para ele por invencível encanto. Pediu-lhe com insistência que não o deixasse até chegarem a Babilônia.
— O mesmo favor te peço — disse-lhe o velho. — Jura, por Orosmade, que não te separarás de mim, por mais estranhos que te pareçam os meus atos.
Zadig jurou, e partiram juntos.
Chegaram os dois viajantes a um soberbo castelo. O eremita pediu hospitalidade para si e para o jovem que o acompanhava. O porteiro, que se poderia tomar por um grão-senhor, os introduziu com uma espécie de desdenhosa complacência. Foram apresentados ao criado-mor, que lhes mostrou os magníficos apartamentos do amo. Permitiram-lhes que sentassem à extremidade da mesa deste, sem que o senhor do castelo se dignasse honrá-los com um olhar, durante a ceia; mas foram servidos, como os outros, com refinamento e profusão. Fizeram com que se lavassem em uma bacia de ouro, guarnecida de esmeraldas e rubis. Levaram-nos a deitar-se em um belo apartamento, e no dia seguinte um criado entregou a cada qual uma moeda de ouro; após o que, foram despedidos.
— O dono da casa — disse Zadig em caminho — parece-me um homem generoso, embora um pouco altivo; exerce nobremente a hospitalidade.
Dizendo tais palavras, percebeu que uma espécie de bôlsa muito grande que usava o eremita parecia distendida e inflada viu ali a bacia de ouro guarnecida de pedrarias, que este havia furtado. Não ousou dizer coisa alguma; mas sentia-se tomado da estranha surpresa.
Pelo meio-dia, o eremita apresentou-se à poria de uma casa muito pequena onde morava um rico avarento; pediu hospitalidade por algumas horas. Um velho criado mal vestido recebeu-o rudemente e fez entrar o eremita e Zadig na estrebaria, onde lhes serviram algumas azeitonas podres, pão duro e cerveja estragada. O eremita bebeu e comeu com um ar tão contente como na véspera. Depois, dirigindo-se ao velho criado, que os observava para ver se não roubavam nada e os instava a partirem, deu-lhe as duas moedas de ouro que recebera de manhã e agradeceu-lhe muito as suas atenções.
— Peço-lhe acrescentou — que me leve à presença de seu amo.
O criado, atônito, introduziu os dois viajantes.
— Magnífico senhor — disse o eremita, não posso deixar de agradecer-vos humildemente a nobre maneira como nos recebestes: dignai-vos aceitar esta bacia de ouro como modesto penhor de minha gratidão.
O avarento quase caiu para trás. Sem lhe dar tempo para que voltasse a si do assombro, o eremita partiu às pressas com o seu jovem companheiro.
— Senhor, que vejo eu? — diz-lhe Zadig. — Não vos pareceis em nada com os outros homens, roubais uma bacia de ouro guarnecida de pedrarias a um senhor que vos recebe magnificamente e a presenteais a um avarento que vos trata com indignidade.
— Meu filho — respondeu o velho, — esse homem magnífico, que só recebe os estranhos por vaidade e para fazê-los admirar suas riquezas, se tornará mais sensato; — o avarento aprenderá a praticar a hospitalidade: não te espantes de nada, e segue-me.
Zadig não sabia ainda se tratava com o mais louco ou o mais sábio dos homens; mas o eremita falava com tanta autoridade que Zadig, ligado aliás pelo juramento, não pôde deixar de segui-lo.
Chegaram de noite a uma casa de aspecto agradável mas simples, onde nada denunciava prodigalidade ou avareza. O dono era um filósofo retirado do mundo, que cultivava em paz a sabedoria e a virtude, e que no entanto não se aborrecia. Aprouvera-lhe construir aquele retiro, onde recebia os visitantes com uma nobreza que nada tinha de ostentação. Foi em pessoa ao encontro dos dois viajantes, a quem primeiro fez repousar num cômodo apartamento. Algum tempo depois veio convidá-los para uma refeição sadia e variada, durante a qual se referiu discretamente às últimas revoluções de Babilônia. Pareceu sinceramente devotado à rainha e mostrou-se desejoso de que Zadig tivesse comparecido ao torneio para disputar a coroa. “Mas os homens — acrescentou — não merecem um rei como Zadig”. Este enrubescia e sentia redobrarem seus sofrimentos. Convieram, na conversação, em que as coisas deste mundo não marchavam sempre ao agrado dos mais sensatos. O eremita sustentava que não se conheciam os caminhos da Providência, e que os homens faziam mal em julgar um todo de que só percebiam a mais ínfima parte. Falaram em seguida sobre as paixões.
— Ah! como são funestas! dizia Zadig.
— São como os ventos que enfunam as velas do barco — retrucou o eremita: — submergem-no às vezes; mas, sem o seu auxílio, o barco não poderia vogar. A bílis nos torna coléricos e doentes; mas, sem a bílis, não poderíamos viver. Tudo é perigoso neste mundo, e tudo é necessário.
Falou-se do prazer, e o eremita provou que é um presente da divindade: “Pois — disse ele o homem não pode dar a si próprio nem sensações nem idéias, recebe tudo; a dor e o prazer lhe vêm de fora, como a sua existência.”
Zadig admirava-se de como um homem que fizera coisas tão extravagantes podia raciocinar tão bem. Enfim, depois de uma palestra tão instrutiva quão agradável, o proprietário conduziu os hóspedes ao quarto, bendizendo o Céu por lhe haver enviado dois homens tão sábios e virtuosos. Ofereceu-lhes dinheiro de um modo natural e nobre que não podia melindrar. O eremita recusou-o e despediu-se, dizendo que partiria para Babilônia antes do raiar do dia. A separação foi comovente; Zadig, sobretudo, sentia-se cheio de estima e simpatia por aquele homem tão amável.
Quando o eremita e ele se viram a sós no apartamento, fizeram por muito tempo o elogio de seu hospedeiro. O velho, alta madrugada, despertou Zadig.
— Temos de partir — disse ele. — Mas, enquanto todos ainda estão dormindo, quero deixar a esse homem um testemunho de minha estima e afeição.
Dizendo tais palavras, tomou um archote e ateou fogo à casa. Zadig, horrorizado, pôs-se aos gritos, e quis impedi-lo de cometer tão revoltante ação. O eremita arrastava-o com uma força superior; a casa estava em chamas. Quando já se achava bastante longe com o companheiro, o velho pôs-se a contemplar tranqüilamente o incêndio. “Graças a Deus! — disse ele. — Eis a casa do nosso querido hospedeiro completamente destruída! Que homem feliz!” A estas palavras, Zadig viu-se tentado, a um tempo, a romper em gargalhadas, a encher de injúrias o venerável ancião a bater-lhe, e a fugir, mas não fez nada disso e, sempre dominado pela ascendência do eremita, seguiu-o, a contragosto, até a próxima pousada.
Era em casa de uma viúva caritativa e virtuosa que tinha um sobrinho de catorze anos, cheio de atrativos e que era a sua única esperança. Fez, o melhor possível, as honras da casa. Na manhã seguinte, ordenou ao sobrinho que acompanhasse os viajantes até uma ponte que, estando meio arruinada, se tornara de passagem perigosa. O jovem, solícito, marchava à frente deles. Ao chegarem à ponte, disse-lhe o eremita:
— Vem cá, devo dar uma amostra de gratidão à tua tia. Toma-o então pelos cabelos e arremessa-o ao rio. O menino tomba, reaparece um instante à tona dágua, e é engolido pela torrente.
— O monstro! ó celerado! — bradou Zadig.
— Tu me havias prometido mais paciência — disse-lhe o eremita, interrompendo-o. — Pois fica sabendo que, debaixo das ruínas dessa casa que a Providência incendiou, o proprietário encontrou um tesouro imenso; e é bom que saibas que esse jovem, a quem a Providência torceu o pescoço, teria assassinado a sua tia dentro em um ano, e a ti daqui a dois anos.
— Quem te disse tal coisa, bárbaro? gritou Zadig. — E, mesmo que houvesses lido esse acontecimento no teu livro dos destinos, acaso te será permitido afogar uma criança que não te fez mal nenhum?
Enquanto assim falava, Zadig percebeu que o velho já não tinha barba, que o seu rosto adquiria os traços da juventude. Desapareceu-lhe o hábito de eremita; quatro belas asas recobriam um corpo majestoso e resplandecente de luz.
— Ó enviado do Céu! Ó anjo divino! exclamou Zadig, prosternando-se. — Desceste então do empíreo para ensinar um frágil mortal a submeter-se às ordens eternas?
— Os homens — disse o anjo Jesrad — julgam tudo sem nada conhecer: eras tu, dentre todos os homens, quem mais merecia ser esclarecido.
Zadig pediu permissão para falar.
— Desconfio de mim próprio — disse ele, mas ousarei pedir-te que me esclareças uma dúvida: não seria melhor corrigir esse menino, e torná-lo virtuoso, em vez de afogá-lo
Se ele tivesse sido virtuoso, e vivido — tornou Jesrad, — a seu destino seria o de ser assassinado com a mulher que deveria desposar, e com o filho que deveriam ter
— Como! — exclamou Zadig. — É então necessário que haja crimes e males, e que os males tombem sobre as pessoas de bem?
— Os maus — respondeu Jesrad — são sempre infelizes: servem para experimentar um pequeno número de justos espalhados sobre a terra, e não há mal de que não provenha um bem.
— Mas — disse Zadig — e se só houvesse bem, e nenhum mal?
— Então — replicou Jesrad — este mundo seria outro; o encadeamento dos fatos obedeceria a uma outra ordem de sabedoria; e essa outra ordem, que seria perfeita, só pode existir na morada eterna do Ser Supremo, de quem o mal não pode aproximar-se. Criou Ele milhões de mundos, nenhum dos quais se pode assemelhar ao outro. Essa imensa variedade é um atributo de seu poder imenso. Não há nem duas folhas de árvore na terra, nem dois globos nos campos infinitos do céu, que sejam semelhantes; e tudo o que vês sobre o pequeno átomo em que nasceste devia estar no seu lugar e no seu tempo fixo, conforme as ordens imutáveis daquele que tudo abrange. Os homens pensam que esse menino que acaba de perecer caiu no rio por acaso: tudo é prova, ou punição, ou recompensa, ou providência. Lembra-te daquele pescador que se julgava o mais infeliz dos homens. Orosmade te enviou para lhe mudar o destino. Frágil mortal, cessa de arguir contra aquilo que cumpre adorar.
— Mas — disse Zadig... E, enquanto dizia mas, já o anjo alçava o vôo para a — décima esfera. Zadig, de joelhos, adorou a Providência, e submeteu-se. O anjo gritou-lhe das alturas:
— Segue para Babilônia.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Lembrancinhas , línguas de sogra , beijo de moça , suspiros e suores...
A saída é sempre esta: escrever, escrever e escrever. Você estava ciente e continuou.Agora julga todas as minhas linhas erradas...todos os meus contornos.Te assusta saber de tanta coisa agora?Qual o seu medo, se eu mesma não tenho nenhum medo?
Agora sim você pode ter entendido... mas não tudo.Este é só um começo de luz em você, e até me dou por satisfeita por isso.Estou feliz, por que agora você pode compreender um décimo das coisas.Apenas um décimo das coisas...
Não duvide: eu escolho queimar e não fugir da fogueira. Desde sempre foi assim .Desde a mais remota época da infância quando descobri que brincar com fogo a noite não te faz fazer xixi na cama.Desde que comprovei através da prática que brincar com fogo à noite não te faz urinar em lençois sadios.Há muito tempo que eu brinco com fogo...e à noite.Eu me queimo por vontade própria.Eu me queimo por gostar de queimar, apesar de por vezes sofrer com queimaduras purulentas.Mas ainda assim admiro as feridas e as contemplo mesmo depois de cicatrizadas...
Há muito tempo sem que você percebesse, eu já queimava, mas precisava fingir comedimento para não assustar-lhe com minha enxurrada de sentimentos intensos e vadios. Você fugiria tenho certeza...você me escaparia como sempre escapou não compreendendo o pouco que compreende agora.
Estou com a alma limpa agora. Você não sabe como era trabalhoso fingir não sentir nada.Fingir não ter nenhuma saudade.Fingir nao enrusbescer e não sentir a montanha- russa dentro de mim quando te aproximavas pra depois recuares sem explicação.
Ah agora estou legítima por que agora você compreendeu um milésimo disso tudo(sim, agora mesmo percebi que não foi um décimo...)
Estou doidamente apaixonada por todos os ecos... por esses meus desvãos.Estou toda azulada , brilhante e quente.Não quer tirar a limpo?
Você não consegue ver que o que é hoje, sempre foi desde o começo... desde que tocaste o meu ombro e sussurrou no meu ouvido:"Você gosta de ser lida"
Entende? Estou em processo de combustão desde sempre, e a única diferença é que agora você enxerga minhas labaredas.
Você está distante agora. É sua escolha e não a minha.Está cauteloso, sóbrio...fosco.
Nada mudou, por que toda a combustão sempre existiu. E meu prazer sempre foi o de queimar, embora você sempre me escorregasse.
Estás fazendo desfeita com todas as minhas oferendas?Logo você deudade descascada?Vai fazer desfeita da minha cesta de palha com charutos , vinhos, incensos de mirra e uma bíblia para rasgarmos juntos ?Não posso crer...você, logo você vai negar minhas oferendas que foram tão preparadas pra você?
Existem muitas aqui, e você conhece apenas algumas delas.
Há muita coisa a dizer que não sei como dizer... Mas o que digo agora é que estou descansada , agora que você começa a enxergar uma luz, pois agora não vou precisar dar sinais fugidios.Não vou precisar planejar passar na hora exata em que você está passando.Não vou arquitetar planos pra você me perceber mais um pouco...
Mas e agora?
Agora você quer se retirar da festinha antes mesmo do parabéns? Ficou somente para assistir o show dos palhacinhos e comer alguns poucos brigadeiros que eu mesma preparei com sentimentos injustificáveis e doses de parca luxúria?Não vai ficar pra assistir o espetáculo maior? Aquele com lembrancinhas, língua de sogra, beijo de moça, suspiros e suores... não vai ficar?
Por acaso eu pedi pra que se retirasse?Por acaso disse eu que tinha medo de fogo? Que tinha medo de me queimar? Como homem? Se eu mesma fui batizada pelo fogo?O que prefiro é fogo e não água... Vai se retirar? E por quê? Logo agora?Vai sair do espetáculo grandioso em que és o personagem principal há tanto tempo?E quem vou colocar no lugar?Não há atores tão bons por aqui... nem acolá.Você conhece algum que possa te substituir?Não mesmo... você não conhece...eu não conheço...seu lugar vai ficar vazio.
* ARTE DE DINO VALLS
Agora sim você pode ter entendido... mas não tudo.Este é só um começo de luz em você, e até me dou por satisfeita por isso.Estou feliz, por que agora você pode compreender um décimo das coisas.Apenas um décimo das coisas...
Não duvide: eu escolho queimar e não fugir da fogueira. Desde sempre foi assim .Desde a mais remota época da infância quando descobri que brincar com fogo a noite não te faz fazer xixi na cama.Desde que comprovei através da prática que brincar com fogo à noite não te faz urinar em lençois sadios.Há muito tempo que eu brinco com fogo...e à noite.Eu me queimo por vontade própria.Eu me queimo por gostar de queimar, apesar de por vezes sofrer com queimaduras purulentas.Mas ainda assim admiro as feridas e as contemplo mesmo depois de cicatrizadas...
Há muito tempo sem que você percebesse, eu já queimava, mas precisava fingir comedimento para não assustar-lhe com minha enxurrada de sentimentos intensos e vadios. Você fugiria tenho certeza...você me escaparia como sempre escapou não compreendendo o pouco que compreende agora.
Estou com a alma limpa agora. Você não sabe como era trabalhoso fingir não sentir nada.Fingir não ter nenhuma saudade.Fingir nao enrusbescer e não sentir a montanha- russa dentro de mim quando te aproximavas pra depois recuares sem explicação.
Ah agora estou legítima por que agora você compreendeu um milésimo disso tudo(sim, agora mesmo percebi que não foi um décimo...)
Estou doidamente apaixonada por todos os ecos... por esses meus desvãos.Estou toda azulada , brilhante e quente.Não quer tirar a limpo?
Você não consegue ver que o que é hoje, sempre foi desde o começo... desde que tocaste o meu ombro e sussurrou no meu ouvido:"Você gosta de ser lida"
Entende? Estou em processo de combustão desde sempre, e a única diferença é que agora você enxerga minhas labaredas.
Você está distante agora. É sua escolha e não a minha.Está cauteloso, sóbrio...fosco.
Nada mudou, por que toda a combustão sempre existiu. E meu prazer sempre foi o de queimar, embora você sempre me escorregasse.
Estás fazendo desfeita com todas as minhas oferendas?Logo você deudade descascada?Vai fazer desfeita da minha cesta de palha com charutos , vinhos, incensos de mirra e uma bíblia para rasgarmos juntos ?Não posso crer...você, logo você vai negar minhas oferendas que foram tão preparadas pra você?
Existem muitas aqui, e você conhece apenas algumas delas.
Há muita coisa a dizer que não sei como dizer... Mas o que digo agora é que estou descansada , agora que você começa a enxergar uma luz, pois agora não vou precisar dar sinais fugidios.Não vou precisar planejar passar na hora exata em que você está passando.Não vou arquitetar planos pra você me perceber mais um pouco...
Mas e agora?
Agora você quer se retirar da festinha antes mesmo do parabéns? Ficou somente para assistir o show dos palhacinhos e comer alguns poucos brigadeiros que eu mesma preparei com sentimentos injustificáveis e doses de parca luxúria?Não vai ficar pra assistir o espetáculo maior? Aquele com lembrancinhas, língua de sogra, beijo de moça, suspiros e suores... não vai ficar?
Por acaso eu pedi pra que se retirasse?Por acaso disse eu que tinha medo de fogo? Que tinha medo de me queimar? Como homem? Se eu mesma fui batizada pelo fogo?O que prefiro é fogo e não água... Vai se retirar? E por quê? Logo agora?Vai sair do espetáculo grandioso em que és o personagem principal há tanto tempo?E quem vou colocar no lugar?Não há atores tão bons por aqui... nem acolá.Você conhece algum que possa te substituir?Não mesmo... você não conhece...eu não conheço...seu lugar vai ficar vazio.
* ARTE DE DINO VALLS
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
O meu café não tem açucar
O meu café não tem açúcar. Fiz isso pelo simples prazer de não ter prazer com o ato.Assim como nós: não temos açúcar, não temos prazer.Não tenho prazer.Tenho infinitas lucubrações que enfeitam minha noturneidade quando não te faz presente.Quando todas as vezes não te fez presente.
Estou aturdida com a alma dobrada e você não compreende. E você não aparece (como uma deidade no meu quarto de insônias).E você não vem deflagrar o que é apagado.
Estou agora escrevendo o seu nome em cada palavra desta. O que lê agora não é nada além de seu nome com letras garrafais perfumado com minha libido vociferante.
Eu sei... não precisa me dizer : Você não entendeu nada...você nunca entende nada...Você não me alcança sequer com as pontas dos dedos, e eu louca como aprendi ser com minha generosa mãe, fico à espera de qualquer salvação tua.Não percebeu que estou até dada hora aguardando por palavras amenas ? E você então volta a me aborrecer com pormenores de relações passadas.
Não percebeste que eu quero ser tua. Não percebeu o quanto meu corpo grita por breves instantes de volúpia.Não percebeste que desejo a menor coisa, o menor ato.Que desejo qualquer coisa na tua companhia.Não percebeste assim como não perceberia a hecatombe interna que me causas toda a vez que vai embora.
Existe uma batalha. E você nunca lutou nela, embora eu lhe pedisse diariamente através de orações destituídas de fé em qualquer coisa, que lutasse com sua espada em forma de falo
Não vou dizer que te amo, por que creio ser isso um devaneio. Não vou lhe dizer que te odeio, por que minha querida mãe me educou a amar o próximo ( embora ela mesma nunca tenha demonstrado a prática do que é isto).Não vou lhe dizer nada , por que simplesmente você não me dá ouvidos.Ou ao menos não me dá os ouvidos que preciso.Não vou fazer nada: Apenas vou ficar aqui imersa nessa invenção dos homens chamada solidão , com um copo de vodka e um gilete pra cortar a pele.
Você não entende nada. Não entende o meu desejo ...não entende minha fogueira de dentro.Você nem sequer me faz um cafuné quando chove lá fora...ou quando estoura a guerra dentro de mim.
São muitas as suas colombinas, e eu fico aguardando por mais um pouco de afeição... por mais um pouco de desejo.Fico aguardando ser a tua necessidade.Aguardando a tua voz no telefone dizendo : - Vem que eu não aguento mais de saudade.
Mas não. Eu não te faço a mesma necessidade que a de um bovino para matar tua fome.Não te faço a mesma necessidade que a de uma taça de vinho fumegante para aplacar uma dor.Não te faço a mesma necessidade que a de um inseto rastejante para te fazer companhia.Não sou necessária nem mesmo para ser arremessada na tua parede como uma indiscreta beata assassina.
Só estou misturando tudo, por que você não entende nada. Então não faz diferença o que escrevo aqui ...por que nada você vai entender embora sempre diga quando terminas : - Ah entendi!
Não.Não entendeu.Não me entenderias nem se eu fosse um reles escritor de bíblias falsescas.
Eu não acredito em fadas. Exceto aquelas que retiro da latrina todas as manhãs sem teto, e que não são verdes.Por que é das verdes que tenho medo.Não me agrada a cor verde, por que não tenho mais esperança em nada a não ser a de que você um dia apareça e me pegue pelo braço para passear na chuva (ácida) e derreter junto comigo num ato de comiserável paixão.
Eu não vou explodir. Não mesmo. Ainda que centrifugue meu peito com as suas palavras indecisas... eu não vou explodir.Ainda que me apareça um duende com objeto fálico ereto nas mãos para me penetrar inteira , eu não vou explodir.Ainda que me venha qualquer Jesus Cristo me fazer sala na minha própria casa com um prato de hóstias e uma jarra de vinho, eu não vou explodir.
Ainda que...
Ainda não terminei... há ainda muito o que escrever.
ARTE DE JOHN JOHN JESSE
Estou aturdida com a alma dobrada e você não compreende. E você não aparece (como uma deidade no meu quarto de insônias).E você não vem deflagrar o que é apagado.
Estou agora escrevendo o seu nome em cada palavra desta. O que lê agora não é nada além de seu nome com letras garrafais perfumado com minha libido vociferante.
Eu sei... não precisa me dizer : Você não entendeu nada...você nunca entende nada...Você não me alcança sequer com as pontas dos dedos, e eu louca como aprendi ser com minha generosa mãe, fico à espera de qualquer salvação tua.Não percebeu que estou até dada hora aguardando por palavras amenas ? E você então volta a me aborrecer com pormenores de relações passadas.
Não percebeste que eu quero ser tua. Não percebeu o quanto meu corpo grita por breves instantes de volúpia.Não percebeste que desejo a menor coisa, o menor ato.Que desejo qualquer coisa na tua companhia.Não percebeste assim como não perceberia a hecatombe interna que me causas toda a vez que vai embora.
Existe uma batalha. E você nunca lutou nela, embora eu lhe pedisse diariamente através de orações destituídas de fé em qualquer coisa, que lutasse com sua espada em forma de falo
Não vou dizer que te amo, por que creio ser isso um devaneio. Não vou lhe dizer que te odeio, por que minha querida mãe me educou a amar o próximo ( embora ela mesma nunca tenha demonstrado a prática do que é isto).Não vou lhe dizer nada , por que simplesmente você não me dá ouvidos.Ou ao menos não me dá os ouvidos que preciso.Não vou fazer nada: Apenas vou ficar aqui imersa nessa invenção dos homens chamada solidão , com um copo de vodka e um gilete pra cortar a pele.
Você não entende nada. Não entende o meu desejo ...não entende minha fogueira de dentro.Você nem sequer me faz um cafuné quando chove lá fora...ou quando estoura a guerra dentro de mim.
São muitas as suas colombinas, e eu fico aguardando por mais um pouco de afeição... por mais um pouco de desejo.Fico aguardando ser a tua necessidade.Aguardando a tua voz no telefone dizendo : - Vem que eu não aguento mais de saudade.
Mas não. Eu não te faço a mesma necessidade que a de um bovino para matar tua fome.Não te faço a mesma necessidade que a de uma taça de vinho fumegante para aplacar uma dor.Não te faço a mesma necessidade que a de um inseto rastejante para te fazer companhia.Não sou necessária nem mesmo para ser arremessada na tua parede como uma indiscreta beata assassina.
Só estou misturando tudo, por que você não entende nada. Então não faz diferença o que escrevo aqui ...por que nada você vai entender embora sempre diga quando terminas : - Ah entendi!
Não.Não entendeu.Não me entenderias nem se eu fosse um reles escritor de bíblias falsescas.
Eu não acredito em fadas. Exceto aquelas que retiro da latrina todas as manhãs sem teto, e que não são verdes.Por que é das verdes que tenho medo.Não me agrada a cor verde, por que não tenho mais esperança em nada a não ser a de que você um dia apareça e me pegue pelo braço para passear na chuva (ácida) e derreter junto comigo num ato de comiserável paixão.
Eu não vou explodir. Não mesmo. Ainda que centrifugue meu peito com as suas palavras indecisas... eu não vou explodir.Ainda que me apareça um duende com objeto fálico ereto nas mãos para me penetrar inteira , eu não vou explodir.Ainda que me venha qualquer Jesus Cristo me fazer sala na minha própria casa com um prato de hóstias e uma jarra de vinho, eu não vou explodir.
Ainda que...
Ainda não terminei... há ainda muito o que escrever.
ARTE DE JOHN JOHN JESSE
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Devolve o poema que te fiz
Arte de David Stoupakis
Devolve o poema que te fiz... ele não te serve .
Faço um esforço sobre humano para não te escrever...mas as palavras me chicoteiam até eu não resistir.
Mas...será que de fato estou te escrevendo?...Ou...estou deixando escorrer pelos poros com o erotismo próprio do que é vivo?
Estou desistindo... eu acho.Quero desistir ...eu acho.Eu achava que estava tudo resolvido..Que nossas inconsistências iriam de uma vez por todas se misturarem numa maravilhosa dança pagã de corpos nus.
Dentes podem machucar. Unhas também podem. Olhos que procuram abrigo. Sustos. Desmaios... Negociamos o que exatamente?Sou incapaz de dizer. Você também.Estou ardendo por duro prazer mórbido de ainda te desejar.Ainda tens data e hora para vir ?
Devolve o poema que te fiz, ele não é teu.
Será que é capaz de ficar e escutar exatamente agora meus lamentos dominicais?Ficarias para me salvar um pouco?Não. Eu sei que não...
Sei que já foi embora, e que amanhã talvez volte com palavras mais amenas para remontar meus desejos.
Talvez consiga.
Devolve o poema que eu te fiz... ele é de outro.
Talvez te escreveria novamente... talvez te direi sim novamente.
Mas e daí mesmo: Eu não preciso da comiseração de ninguém. Se vou dizer sim é por que quero dizer sim e pronto.Não posso carregar as dores do mundo ...nem as minhas.Não preciso fingir nada: Eu te desejo febrilmente.Desejo a tua salvação em forma de falo.O teu cântico em forma de sussurros ao pé do ouvido, a tua reza em forma de beijos.
Devolve o poema que te fiz...
Você me arranha diariamente com farpas, e eu sou incapaz de sentir tais dores. Me aprazo até com o que é dolorido.Mas você continua rindo um riso bondoso e irônico.Eu desisto então...
Eu me banho e me perfumo só para te ver de longe. Só para te ver de muito longe...
Estou com o corpo torturado de volúpia. Ainda não enxergas?Quantas linhas ainda preciso escrever?
Caminhando em corda bamba o tempo todo com intenção que me devore truculentamente.
Estou desordeira, mentirosa, lúbrica, assassina.
Quero assassinar você agora... por motivo torpe: você não me aquece.Não aquece meu coração insalubre, meu corpo arrefecido.Você não aquece nada.Apenas me entrega o (teu) fogo para que eu mesma me incendeie.
Chega!
Não quero de forma alguma me sacrificar. Não quero de forma alguma continuar a me esforçar...Continuar a escolher a roupa certa , o perfume certo , as palavras certas , as caricias certas,as idéias certas... a dose de vodka certa.
Estou enfurecida... vai devolver ou não o poema que te fiz?
Devolve, ele não te serve.
Assinar:
Postagens (Atom)





