Elegante
Me trouxe à vida,
Há muito perdida nos botecos solitários
Há muito envolvida com perdições mundanas.
Há muito procurando sem sucesso
o que tu me deste tão despreocupadamente.
O teu gemido me era música
Tua boca semi-aberta ecoava o ares da volúpia.
Ecoava o teu mistério!
E tu, me ludibriavas todo o tempo!
Tu fazias quimar em doce quentura
Fazias teimar em doce loucura.
Em ti via surgir , o que de mim se espanta.
E sem crer no que fazer, me ordenava o sacripanta:
-Me devore por inteiro, puta ou santa.
Quem de nós duas é a mais voluptuosa?...e quem de nós duas a mais sapiente?
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Á beira abissal
Uma bela cabeleira prateada
Pouco delirante;
Tal como o penacho de uma cacatua
Olhos vivos e miúdos que revelam mansidão
De fronte saudos e convidativa
Me alucinou o ventre
Me alegrou os rins!
Tinha gemido como uma cousa impura
Tinha a boca escancarada
E alegre, e molhada e devassa;
Una e santa boca
Me engolia e me inchava.
Ecoava o mesmo som das trombetas celestes apocalípticas
que me arrancava das garras satânicas.
Em breves instantes
Uma vastidão de volúpias tátaras
Ou divinas
Dessas que se tem medo de sentir
Uma comoção descomunal.
Uma vivaz plantação de petúnias.
Idólatra àquele corpo sutil
Àqueles gemidos lugubres
Àquela boca descancarada
Tudo se ordenava e se tinha sentido.
Com o espírito arrebatado por um alívio extraordinário,
presa de alegres e obstinadas suputações,
Sentia a dança de petúnias em meu ventre!
Com que proveito e crescentes delícias
destrinchava meus infernos!
Cativavas meu coração sem ofenderes meu espírito!
Pouco delirante;
Tal como o penacho de uma cacatua
Olhos vivos e miúdos que revelam mansidão
De fronte saudos e convidativa
Me alucinou o ventre
Me alegrou os rins!
Tinha gemido como uma cousa impura
Tinha a boca escancarada
E alegre, e molhada e devassa;
Una e santa boca
Me engolia e me inchava.
Ecoava o mesmo som das trombetas celestes apocalípticas
que me arrancava das garras satânicas.
Em breves instantes
Uma vastidão de volúpias tátaras
Ou divinas
Dessas que se tem medo de sentir
Uma comoção descomunal.
Uma vivaz plantação de petúnias.
Idólatra àquele corpo sutil
Àqueles gemidos lugubres
Àquela boca descancarada
Tudo se ordenava e se tinha sentido.
Com o espírito arrebatado por um alívio extraordinário,
presa de alegres e obstinadas suputações,
Sentia a dança de petúnias em meu ventre!
Com que proveito e crescentes delícias
destrinchava meus infernos!
Cativavas meu coração sem ofenderes meu espírito!
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Enlace Trevesco
Ignoto!
Parecia-me tripudiar no Lago dos Cisnes
Parecia-me carneficina em templos cristãos.
Via crostas e cristos se enlaçarem nas amendoeiras
Sonhei que me deparava
com tua testa cravada com uma estaca.
E te rias como criança satisfeita.
Sonhei com teu miserável corpo langue
Se esvaindo em sangue
Sonhei contigo descendo pelo ralo
E rindo...
E ria um riso bondoso
Um riso gosmento
Salivava mais que um bode
Ou uma vaca
Morbidamente...
E a tua pupila inchava
E exorbitava
Brilhava, lacrimejava
Parecia-me um retardado
Que morria bobo alegre
Tua camiseta era verde
Tua calça bege era verde
Teu chapéu, teus óculos
Teu sexo era verde
Parecia-me tripudiar no Lago dos Cisnes
Parecia-me carneficina em templos cristãos.
Via crostas e cristos se enlaçarem nas amendoeiras
Sonhei que me deparava
com tua testa cravada com uma estaca.
E te rias como criança satisfeita.
Sonhei com teu miserável corpo langue
Se esvaindo em sangue
Sonhei contigo descendo pelo ralo
E rindo...
E ria um riso bondoso
Um riso gosmento
Salivava mais que um bode
Ou uma vaca
Morbidamente...
E a tua pupila inchava
E exorbitava
Brilhava, lacrimejava
Parecia-me um retardado
Que morria bobo alegre
Tua camiseta era verde
Tua calça bege era verde
Teu chapéu, teus óculos
Teu sexo era verde
Missiva para Roberto

Misturei tudo aquilo
Aquelas coisas que tanto diz loquaz
Barbas ruivas...tens mestria em meus pensados.
Pra quê tudo se tenho teus pronomes?
Amo o trem das três que me leva ao teu berço;
Amo aqueles ditos e polidos,
E verdades que conduzem e coeficiam
Minhas pernas e asas curtas.
Ilustre!
Varre o portal.
Prediz em vasta elegância e seduz
Com as escritas cristianas.
Acende um cigarro
e me pergunta sobre a plivalência cósmica.
Entristeci!
Não guardei as festas de guarda.
Acordei assim
Acordei assim
Com um sentimento invejável de bem viver...
Odiada ou não, olho o espelho e vislumbro um arco-íris
Mais ou menos amigos?Pouco importa...
Tenho estado louca ultimamente...e apaixonada por mim mesma...
Critico-me
Elogio-me
Abasteço-me
Deixo nas mesas de bar as angústias...
E nos domingos tomo inúmeros banhos de sol.
Escurece um lado de mim?Quão bom é não ser tão clara.
Tenho vivido bem afinal.
Com um sentimento invejável de bem viver...
Odiada ou não, olho o espelho e vislumbro um arco-íris
Mais ou menos amigos?Pouco importa...
Tenho estado louca ultimamente...e apaixonada por mim mesma...
Critico-me
Elogio-me
Abasteço-me
Deixo nas mesas de bar as angústias...
E nos domingos tomo inúmeros banhos de sol.
Escurece um lado de mim?Quão bom é não ser tão clara.
Tenho vivido bem afinal.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Aviso da Lua que Menstrua - Elisa Lucinda
Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia
metade legível, metade sereia
Barriga cresce, explode humanidades
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
mas é outro lugar, aí é que está:
cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita...
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
transforma fato em elemento
a tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
é que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
é que tô falando na "vera"
conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
ou sem os devidos cortejos...
Às vezes pela ponte de um beijo
já se alcança a "cidade secreta"
a Atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
cai na condição de ser displicente
diante da própria serpente.
Ela é uma cobra de avental.
Não despreze a meditação doméstica.
É da poeira do cotidiano
que a mulher extrai filosofia
cozinhando, costurando
e você chega com a mão no bolso
julgando a arte do almoço: Eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
então esquece de morder devagar
esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
VACA é sua mãe. De leite.
Vaca e galinha...
ora, não ofende. Enaltece, elogia:
comparando rainha com rainha
óvulo, ovo e leite
pensando que está agredindo
que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia
metade legível, metade sereia
Barriga cresce, explode humanidades
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
mas é outro lugar, aí é que está:
cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita...
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
transforma fato em elemento
a tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
é que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
é que tô falando na "vera"
conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
ou sem os devidos cortejos...
Às vezes pela ponte de um beijo
já se alcança a "cidade secreta"
a Atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
cai na condição de ser displicente
diante da própria serpente.
Ela é uma cobra de avental.
Não despreze a meditação doméstica.
É da poeira do cotidiano
que a mulher extrai filosofia
cozinhando, costurando
e você chega com a mão no bolso
julgando a arte do almoço: Eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
então esquece de morder devagar
esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
VACA é sua mãe. De leite.
Vaca e galinha...
ora, não ofende. Enaltece, elogia:
comparando rainha com rainha
óvulo, ovo e leite
pensando que está agredindo
que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!
Da chegada do amor
Sempre quis um amor
que falasse
que soubesse o que sentisse.
Sempre quis uma amor que elaborasse
Que quando dormisse
ressonasse confiança
no sopro do sono
e trouxesse beijo
no clarão da amanhecice.
Sempre quis um amor
que coubesse no que me disse.
Sempre quis uma meninice
entre menino e senhor
uma cachorrice
onde tanto pudesse a sem-vergonhice
do macho
quanto a sabedoria do sabedor.
Sempre quis um amor cujo
BOM DIA!
morasse na eternidade de encadear os tempos:
passado presente futuro
coisa da mesma embocadura
sabor da mesma golada.
Sempre quis um amor de goleadas
cuja rede complexa
do pano de fundo dos seres
não assustasse.
Sempre quis um amor
que não se incomodasse
quando a poesia da cama me levasse.
Sempre quis uma amor
que não se chateasse
diante das diferenças.
Agora, diante da encomenda
metade de mim rasga afoita
o embrulho
e a outra metade é o
futuro de saber o segredo
que enrola o laço,
é observar
o desenho
do invólucro e compará-lo
com a calma da alma
o seu conteúdo.
Contudo
sempre quis um amor
que me coubesse futuro
e me alternasse em menina e adulto
que ora eu fosse o fácil, o sério
e ora um doce mistério
que ora eu fosse medo-asneira
e ora eu fosse brincadeira
ultra-sonografia do furor,
sempre quis um amor
que sem tensa-corrida-de ocorresse.
Sempre quis um amor
que acontecesse
sem esforço
sem medo da inspiração
por ele acabar.
Sempre quis um amor
de abafar,
(não o caso)
mas cuja demora de ocaso
estivesse imensamente
nas nossas mãos.
Sem senãos.
Sempre quis um amor
com definição de quero
sem o lero-lero da falsa sedução.
Eu sempre disse não
à constituição dos séculos
que diz que o "garantido" amor
é a sua negação.
Sempre quis um amor
que gozasse
e que pouco antes
de chegar a esse céu
se anunciasse.
Sempre quis um amor
que vivesse a felicidade
sem reclamar dela ou disso.
Sempre quis um amor não omisso
e que suas estórias me contasse.
Ah, eu sempre quis uma amor que amasse.
Sempre quis um amor
que falasse
que soubesse o que sentisse.
Sempre quis uma amor que elaborasse
Que quando dormisse
ressonasse confiança
no sopro do sono
e trouxesse beijo
no clarão da amanhecice.
Sempre quis um amor
que coubesse no que me disse.
Sempre quis uma meninice
entre menino e senhor
uma cachorrice
onde tanto pudesse a sem-vergonhice
do macho
quanto a sabedoria do sabedor.
Sempre quis um amor cujo
BOM DIA!
morasse na eternidade de encadear os tempos:
passado presente futuro
coisa da mesma embocadura
sabor da mesma golada.
Sempre quis um amor de goleadas
cuja rede complexa
do pano de fundo dos seres
não assustasse.
Sempre quis um amor
que não se incomodasse
quando a poesia da cama me levasse.
Sempre quis uma amor
que não se chateasse
diante das diferenças.
Agora, diante da encomenda
metade de mim rasga afoita
o embrulho
e a outra metade é o
futuro de saber o segredo
que enrola o laço,
é observar
o desenho
do invólucro e compará-lo
com a calma da alma
o seu conteúdo.
Contudo
sempre quis um amor
que me coubesse futuro
e me alternasse em menina e adulto
que ora eu fosse o fácil, o sério
e ora um doce mistério
que ora eu fosse medo-asneira
e ora eu fosse brincadeira
ultra-sonografia do furor,
sempre quis um amor
que sem tensa-corrida-de ocorresse.
Sempre quis um amor
que acontecesse
sem esforço
sem medo da inspiração
por ele acabar.
Sempre quis um amor
de abafar,
(não o caso)
mas cuja demora de ocaso
estivesse imensamente
nas nossas mãos.
Sem senãos.
Sempre quis um amor
com definição de quero
sem o lero-lero da falsa sedução.
Eu sempre disse não
à constituição dos séculos
que diz que o "garantido" amor
é a sua negação.
Sempre quis um amor
que gozasse
e que pouco antes
de chegar a esse céu
se anunciasse.
Sempre quis um amor
que vivesse a felicidade
sem reclamar dela ou disso.
Sempre quis um amor não omisso
e que suas estórias me contasse.
Ah, eu sempre quis uma amor que amasse.
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