terça-feira, 25 de agosto de 2009

Ainda sem titulo...


Sentiu frio quando alguem apagou a luz de seu coração.
- Não apague a luz, gritava com lagrimas ela.
Mas foi esbofeteada e reduzida ao corpo de rolinha machucada.
Nao conseguiu mais voar naquele dia...sofreu.
Nao ergueu a cabeça, sentiu dores.
Esperou a morte passar.

Mas quem passou nao foi a morte
Mas um cigano de sombrancelhas ausentes
Que cuidou de suas asas feridas
E a fez voar.
Vôou como nunca havia feito antes
Um vôo tão livre e leve
e idílico.
Sonhou uma noite inteira com nuvens de algodão.
E deitou a cabeça no peito de quem amou.

Sorriu
Correu
Brincou
Cantou


Agora o moço acendeu a luz que havia sido apagada.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Idílio

Já reconheço cheiros
tateamentos...
O que dizer quando alguem diz:
Nossa, mas você ta muito bonita hoje!
Tá visivel a diferença de um dia pro outro.

Eu quis evitar qualquer coisa que me levasse a nuvens de algodao
Mas o moço de sombrancelhas ausentes tem o corpo ardente
E odores indecifraveis...
Fui...me lancei...
E nem quero saber de opiniões
Porque o que houve ja me curou de marcas antigas.
E pronto...pra que mais ?
Tá aqui também ainda...
Os cheiros, os toques, as doces palavras

domingo, 16 de agosto de 2009

Um domingo sem flores


Durante uma viajem barulhenta
para um casulo de artes paranoicas,
a moça triste derramou lagrimas escutando Piaf.
Chegou cedo a um bar de alegrias e pensou no dia de ontem...
Quando um moço feliz de nariz vermelho e largas botas
lhe ofereceu um sorriso de alcatrão.
Ela riu sobriamente e abraçou o moço luminoso com cheiro de jasmin.
O moço de nariz vermelho, largas botas e sorriso de alcatrão,
amenizou o dia da moça triste com coreografias circenses suaves e palavras cotidianas.
Lhe ofereceu um cigarro...
Foi embora...
Deixou que a moça pensasse em sobretudos.
A moça encontrou quem deveria...
Chorou com textos sobrios...
Bebeu tiúba...
Caminhou..
Encontrou quem nao deveria...
Chorou pela terceira vez...
Deu adeus...
Atravessou a ruas...
Fumou oito cigarros...
Cochilou.
Acordou de repente.
Voltou para o lar...

Ao chegar encontrou o moço luminoso
de nariz vermelho,
largas botas,
cheiro de jasmin,
e sorriso de alcatrão
estirado no seu leito de ausência...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Ultimos Sentimentos Bravios

Gritei palavras bravias pra dois rapazes...

Ou talvez pra duas meninas...

Esses eram dois guardiões moradores de um coração malogrado...

Porem os gritos não os alcançaram...não fizeram efeito.
E eu tive que desistir, com saudade e lagrimas nos olhos...
deixar que os dois se cuidem
...se amem...se abracem
mesmo que isso transborde o coração de uma ira sangrenta...

enquanto eu aguardo a chegada de outros guardiões.

sábado, 13 de junho de 2009

Confissao inacabada

Espero nao ser mal interpretada
ou mal interpelada...
Mas não sou uma boa companhia...
Alias não tenho sido uma boa companhia nem pra mim mesma, que sempre esta a espera de uma boa companhia (qualquer)
As coisas estao muito escuras...
A unica coisa que tenho gostado de fazer é dormir...dormir horas a fio, pra nao deixar minha alma me esbofetear...

Poema para um analista desejado

Droga, você me cativou...
e o pior de tudo,
Deu as costas pras minhas desditas.
Me deixou com inumeras vontades indecifraveis
E agora se alia às concubinas estrangeiras.

Então tá querido
O que pensa que irei fazer?
Não foi você quem me disse que eu não vivia as coisas da pele
Talvez eu precise mesmo...
talvez não.
Agora eu só quero que o dia me dê bom dia!
Tomo um gole de vinho
(ou uma garrafa)
e esqueço tuas feições perfeitas
e teus olhos de azeviche...
E teu dedo médio aliançado.

Ah vai...que falta me farias?
Já aprendi, a vida é assim.
A solidão anda por perto à espreita sempre que existe qualquer parca chance.
E agora novamente ela retornou com ares de imponência e glamour dizendo: - Eu sabia!
Que importa?
Vai me dizer que a culpa é minha?
QUe não sei viver como deveria?
Que fantasio tudo?
Ah meu analista desejado...
Vá embora então e guarde este poema no bolso mais rasgado.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Hereditária- De Starla Pisces

Hereditária

A tragédia interna de sua família: Mulheres que ficavam loucas.
Quanto mais tempo passava, mais ansiosa ficava, pois sabia o que a aguardava no futuro.
Um futuro polido.
A certeza garantida em vez de um segredo inviolável.
Bastava uma menina nascer para sabedr o destino a que estava fadada.
Vestidos sem botões eram costurados.
Cabelos rentes cortados e livros de colorir comprados para a distração.
A infância seria preservada, e se um dia confiando no milagre resolvessem se casarm, pobres maridos de dotes certeiros.
Entretanto admirava as mulheres loucas da família com seus sorrisos parvos e suas limitações,
lembravam bonecas...
Ansiava ser doida para não chorar mais.
Não desejava para si o castigo da sanidade.